Uma mulher é vítima de stalking a cada duas horas em Goiás

26 de agosto de 2026 às 14:02

Ìndices no estado aumentam importância de identificar padrões e perfis dos agressores, bem como de políticas públicas destinadas a dar combate efetivo a conduta, que pode evoluir para atos mais graves de violência

Consideradas potencializadoras do anonimato, as redes sociais têm produzido um aumento significativo da prática do stalking (termo em inglês para perseguição). De acordo com números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a conduta, considerada crime desde 2021, tem registrado altos índices de ocorrência em Goiás: foram 4.136 casos em 2024 e 4.334 denúncias formais em 2025. A estatística revela um quadro preocupante: segundo os dados mais recentes, uma mulher é vítima de crime de stalking a cada duas horas em Goiás.

Jornalista com experiência de coberturas da rotina policial e candidata a deputada estadual Arianne Cândido (União Brasil) defende ações que passam pela correta identificação dos principais perfis de perseguidores, bem como em políticas públicas que favoreçam uma punição eficaz daqueles casos que chegam a ser registrados na forma de Boletins de Ocorrência (BOs) nos órgãos de Segurança Pública,

“Existem estudos que traçam quem são e como agem os perfis clássicos de stalkers. É importante que essa informação seja massificada. Alguns desses perfis aparecem na vida da mulher de forma inofensiva e até como um possível vínculo afetivo, mas, ao primeiro sinal de frustração, evolui sua ação para a violência, que pode ser fatal”, comenta.

Além da informação, a jornalista ressalta também a relevância de ação legislativa no sentido de garantir os marcos legais para que o Poder Executivo possa reforçar forças de Segurança Pública destinadas a promover a repressão desse tipo de crime no local onde ele acontece com maior frequência: as redes sociais.

Nesse sentido, Cândido menciona a Lei Federal 15.487/2026, que autoriza a chamada “ronda virtual”. “A lei autoriza a aquisição de softwares específicos de varredura para identificar padrões específicos de práticas de crimes. Com isso, os Legislativos Estaduais ficam plenamente autorizados a produzir dispositivos legais no sentido da aquisição ou até mesmo produção desses programas. Seria um reforço formidável na luta contra o cyberstalking, que é a forma mais praticada de perseguição contra mulheres nos dias atuais”, explica.

Arianne também salienta a necessidade de uma nova visão sobre as atribuições do policial investigativo. “Todo policial civil tem de se tornar um investigador em ambiente virtual em potencial. Precisamos atuar junto à Escola Superior de Polícia Civil no sentido de dotá-la de recursos orçamentários específicos para a montagem de programas inteiros de ensino, com o objetivo de qualificar nossos investigadores a utilizarem a rede internacional de computadores como arma contra os agressores e criminosos, e não a favor deles”, ressalta.

Perfis clássicos de “slalkers”

1) O rejeitado
Considerado o mais comum e perigoso. Os contextos mais comuns são o relacionamento rompido e a investida mal-sucedida. Inicia a perseguição com atos pretensamente carinhosos, com o objetivo de forçar uma reconciliação ou uma abertura para possível relacionamento, mas se torna agressivo quando frustrado.

2) O buscador de intimidade
Frequentemente associado a transtornos delirantes, pois arquiteta na mente uma conexão intensa e proximidade que não existem de fato. Frequentemente se mune de fantasias como a de que a vítima o ama secretamente. O delírio funciona como gatilho para a agressão, na medida em que a vítima passa a “afrontar” uma intimidade idealizada.

3) O pretendente incompetente
Perseguidor exibe baixas habilidades sociais e de interação. Inicia os atos de stalking sem intenção de praticar violência, mas escala para comportamento violento na medida em que suas limitações o impedem de estabelecer intimidade. Não aceita respostas negativas.

4) O Ressentido
Movido por uma percepção de injustiça ou rejeição por parte da vítima, que pode ser pessoa ou instituição. Utiliza a perseguição com o objetivo de causar medo e estresse. Sua ferramenta mais comum é o cyberstalking, realizado por meio das redes sociais.

5) O Predatório
De maior risco físico. Geralmente não tem histórico de contato direto com a vítima. Seu objetivo envolve a perseguição baseada na violência sexual. Suas técnicas envolvem monitoramento constante para identificar o momento certo de realizar o ataque.

Fonte: “A Study of Stalkers”, American Journal of Psychiatry, 1999.