Situação em Goiás é considerada alarmante; estado responde por 40% dos casos de obesidade de crianças entre 5 e 9 anos no Centro-Oeste
Uma em cada três crianças e adolescentes goianos está acima do peso. De acordo com levantamento realizado pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), do Ministério da Saúde, mais de meio milhão de crianças e adolescentes goianos atendidos pelo setor de atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS) encontram-se acima do peso ideal, o que equivale a 31% do total.
O maior detalhamento desses números mostra uma situação ainda mais preocupante em Goiás: na faixa etária entre cinco e nove anos, o estado responde por 40% dos casos registrados na Região Centro-Oeste: 59.247 das 135.286 crianças dessa parte do país são goianas. Ainda segundo os dados do SISVAN para Goiás, 13% das mais de 518 mil crianças e adolescentes goianos acima do peso já estão diagnosticadas como obesas.
Entre as causas apontadas por relatórios como o Atlas da Obesidade, produzido pela Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Goiás (UFG), a modificação dos hábitos alimentares da população brasileira verificadas, sobretudo, a partir de 2010, com a explosão do consumo dos alimentos ultraprocessados. Outro aspecto mencionado foi a correspondência entre, de um lado, o vício em telas e, de outro, o sobrepeso. O sedentarismo seria o denominador comum nessa proporção perversa para a saúde pública no estado.
O apelo do tema é tal que começa a dominar o debate público. Em ano de eleição, não escapa às discussões e propostas de pré-candidatos. Um exemplo é o do empresário, educador físico e fisioterapeuta Felipe Mabel, postulante a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). “Esse é um problema que precisa ser atacado em três frentes: o da cultura alimentar, o do combate ao sedentarismo e o do enfrentamento ao vício em telas”, explica
Ruas do lazer
Felipe Mabel sugere uma iniciativa que institua a obrigatoriedade da promoção de, pelo menos, duas “Ruas do Lazer” por bairro em todos os municípios goianos, aos finais de semana. “O Poder Público faria um sorteio semanal de duas ruas por bairro. Então, no sábado ou domingo, essas ruas seriam fechadas e dedicadas exclusivamente a um programa de apoio ao esporte de base”, relata.
O pré-candidato propõe, ainda, uma outra iniciativa, destinada a proibir a venda e a publicidade de alimentos ultraprocessados no ambiente das cantinas escolares. “Essa proibição abrangeria toda a rede pública estadual, com acordos entre os municípios para que eles repliquem essa determinação na rede de ensino fundamental. O objetivo seria conter, ao máximo, os estímulos e apelos visuais”, salienta.
“Essas medidas poderiam ser complementadas por uma campanha semanal de incentivo à restrição ao uso de telas de dispositivos móveis, especialmente no momento das refeições”, pontua Mabel. “O Poder Público poderia usar seus recursos de mídia e propaganda, com mensagens ao mesmo tempo responsáveis e atrativas para o público infanto-juvenil”, complementa.
Para Mabel, nenhuma saída para o problema do sobrepeso infanto-juvenil em Goiás pode ser tratado sem a participação dos próprios destinatários e de seus pais e responsáveis. “É preciso que façamos audiências públicas, até mesmo, para que especialistas em comportamento infanto-juvenil se pronunciem. Tudo tem início com orientação. A partir dela, podemos partir para as soluções, que requerem vontade política e coesão dos goianos como sociedade organizada”, finaliza.