Goiás possui uma das melhores redes de apoio público a mães adolescentes do país; candidata a vaga na Alego propõe ampliação de sistema e programa para reduzir evasão escolar
Um em cada 10 bebês nascidos em Goiás é filho de mãe menor de 18 anos. O dado é do Sistema de Informações Sobre Nascidos Vivos (SISNAC), do Ministério da Saúde. A magnitude da estatística encontra resposta considerada adequada no estado, por meio de ampla rede de apoio patrocinada pelo Poder Público. Com o início do debate eleitoral, esse elenco de instituições tem recebido sugestões de expansão e melhoria por parte dos candidatos a cargos eletivos.
O tema suscita debates por seu tamanho. Ainda segundo o SISNAC, Goiás tinha 9.826 crianças entre 0 a 3 anos filhos de mães menores em 2025: são 10,47% de um total de 91.124 nascidos vivos. Foram 330 nascimentos nessa faixa etária (quase um caso por dia, ou um a cada 26,5 horas), representando um aumento de 13,4% em relação a 2024.
Para fazer face a esse desafio em termos de cobertura assistencial, Goiás é considerado um verdadeiro exemplo para o restante do país. Um dos principais programas é o Meninas de Luz, fruto da parceria entre a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) e o Governo do Estado. O programa atende mães de até 21 anos com serviços nas áreas de pré-natal, suporte psicológico, cuidados com o bebê e saúde bucal. Também há doação de um kit enxoval para o bebê quando do nascimento, além de assistência pós-parto.
Outro programa goiano que abarca as genitoras menores é o Mães de Goiás, que integra o Goiás Social. Trata-se de uma política de transferência direta de renda, no valor de R$ 300 mensais para mães com filhos entre zero e 6 anos. Um terceiro programa é o Rede Nascer, promovido pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) para monitoramento da saúde materno-infantil, do início da gravidez até a criança completar 2 anos.
Para a jornalista e candidata a deputada estadual Arianne Cândido (União Brasil), Goiás se encontra bem posicionado quando o assunto é rede de apoio às mães menores. “Elas conseguem aproveitar muitos dos excelentes programas que o estado proporciona às mães em geral”, aponta.
Cândido pontua, entretanto, algumas ações que podem ser adotadas na esfera legislativa, via Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) para que esses programas alcancem um escopo territorial mais amplo e atendam, de maneira mais eficientes, as mães menores de idade em todo o estado.
“Uma forma de atuar seria criar marcos regulatórios e legais para a criação de polos regionais para funcionamento de todos esses programas estaduais. As prefeituras iriam ceder o espaço físico, e o estado entraria com os recursos para custeio e com pessoal necessário ao funcionamento”, explica.
Outro ponto destacado por Arianne Cândido é a evasão escolar, a maternidade precoce é apontada pela Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílios (PNAD) como a segunda causa mais frequente de evasão escolar entre adolescentes brasileiras. “Aqui cabe a estruturação, por lei, de um programa de permanência escolar, na forma de uma plataforma de mediação escolar, com possibilidade de acompanhamento à distância, na modalidade EAD, com a presença de um tutor pedagógico”, descreve.
A candidata afirma que a adoção dessas medidas iria aprimorar ainda mais a rede de apoio de Goiás às mães menores. “Com certeza, o estado iria consolidar sua posição como modelo de política pública sobre a maternidade infanto juvenil, com destaque para o cuidado pós-parto e ao longo da primeira infância dessa criança nascida dessa mãe precoce”, salienta.