Desvio de septo, aumento dos cornetos e pólipos estão entre as alterações que podem comprometer a passagem de ar e afetar o sono e a qualidade de vida
Goiânia, 25 de agosto de 2026 – Roncar com frequência nem sempre é apenas um incômodo para quem está por perto. Em alguns casos, o sintoma está relacionado à dificuldade para respirar pelo nariz, que leva a pessoa a dormir de boca aberta e altera a passagem do ar durante o sono. Desvio de septo, aumento dos cornetos nasais e pólipos estão entre as alterações estruturais que comprometem a respiração. A rinite alérgica, que atinge cerca de 30% da população brasileira, segundo a Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), também está entre as causas comuns de obstrução nasal.
A maquiadora Natália Goes conhece essa rotina. Durante anos, conviveu com o nariz entupido, sobretudo à noite, e tinha dificuldade para respirar. “Eu sempre tive muitos problemas para respirar por conta do formato do meu nariz. Vivia sempre congestionada e sentia que isso piorava à noite”, conta. O desconforto também interferia no sono: ela respirava pela boca e sofria com o ronco.
O caso de Natália ilustra uma situação que, segundo o otorrinolaringologista Gustavo Jorge, merece investigação quando se torna recorrente. “Respirar pela boca não é necessariamente uma doença, mas pode ser uma adaptação diante de alguma dificuldade para a passagem do ar pelo nariz. Se isso acontece de forma persistente, é importante investigar a causa, porque o tratamento depende diretamente do que está provocando a obstrução”, afirma.
Durante o sono, a redução da passagem de ar tende a se tornar mais evidente e pode favorecer o ronco, além de comprometer a qualidade do descanso. O impacto, porém, não se restringe a quem apresenta o sintoma. “O ronco frequente interfere no descanso não apenas de quem ronca, mas também de quem dorme ao lado. Em alguns casos, a intensidade é suficiente para provocar despertares e comprometer a qualidade do sono do casal”, explica o especialista.
A situação ganhou repercussão após a apresentadora Eliana revelar que dorme em cama separada do marido por causa do ronco dele. Embora o sintoma tenha diferentes causas e nem sempre esteja relacionado à obstrução nasal, a dificuldade para respirar pelo nariz é um dos fatores que devem ser investigados.
Sinais de alerta
Nariz constantemente entupido, dificuldade para respirar durante exercícios, redução do olfato, necessidade de manter a boca aberta, ronco e sono de baixa qualidade estão entre os sinais que merecem atenção. Em alguns casos, a passagem de ar fica mais comprometida de um dos lados do nariz, o que pode estar relacionado a alterações estruturais.
“Quando a pessoa percebe que precisa respirar pela boca para conseguir uma quantidade adequada de ar, principalmente se isso acontece todos os dias, é importante procurar um otorrinolaringologista. O exame clínico permite avaliar se existe uma causa alérgica, inflamatória ou estrutural”, orienta o especialista.
Quando a rinoplastia é indicada
Em casos em que a dificuldade respiratória está relacionada a alterações estruturais, o tratamento pode envolver procedimentos cirúrgicos. Em pacientes com indicação, a rinoplastia funcional corrige alterações da estrutura nasal que comprometem a passagem do ar e, em alguns casos, é associada à correção do desvio de septo ou de outras estruturas.
Nos casos em que a obstrução nasal contribui para o ronco, a correção da estrutura do nariz pode integrar a abordagem. Como o sintoma tem diversas causas, no entanto, a rinoplastia funcional não é indicada para todos os pacientes que apresentam esse quadro. A investigação da origem dos sintomas é fundamental para definir a conduta mais adequada.
No caso de Natália, a indicação cirúrgica surgiu após acompanhamento com otorrinolaringologista e a identificação de alterações que comprometiam a função e a estética do nariz. Depois do procedimento, ela percebeu melhora na respiração e na qualidade do sono. “Eu não vivo mais congestionada, não tenho mais reclamações referentes ao ronco e até as dores de cabeça por conta da sinusite melhoraram”, relata.
“A rinoplastia funcional não deve ser indicada apenas pela presença de uma alteração anatômica. É preciso avaliar se aquela alteração realmente está comprometendo a respiração e se a cirurgia é a melhor opção para aquele paciente. A indicação deve ser individualizada”, explica o especialista.
Diferentemente da rinoplastia realizada exclusivamente por razões estéticas, a abordagem funcional tem como foco preservar ou melhorar a respiração. A avaliação, portanto, considera tanto a estrutura quanto o funcionamento do nariz.
“Respirar com dificuldade pelo nariz não deve ser tratado como algo normal quando o quadro persiste. Identificar a causa da obstrução é o primeiro passo para definir o tratamento mais adequado e trazer benefícios para a respiração, o sono e a qualidade de vida”, conclui o especialista.
Legenda para foto: “A rinoplastia funcional pode ser indicada para corrigir alterações da estrutura nasal que comprometem a passagem do ar”, explica o otorrinolaringologista Gustavo Jorge. (Imagem: Pressatelier).