Evento da capital italiana de Goiás acontece entre os dias 28 a 31 de maio, e terá surpresas em sua edição comemorativa. Uma delas é a pisa da uva, experiência aberta ao público através de sorteios
Em sua 20ª edição, o Festival Italiano de Nova Veneza celebra a cultura italiana com novidades. O tema deste ano, “Brindiamo Storia e Sapori” (Brindando História e Sabores), vai mergulhar os visitantes na trajetória dos imigrantes com experiências ligadas ao vinho, uma das bebidas mais tradicionais na Itália.
Por isso mesmo, a pisa da uva vai ser uma das experiências desta edição. A programação da festa inclui apresentações do Grupo Folclórico Ítalo-Brasileiro (SC), com os dançarinos encenando para o público todo o processo da colheita e da pisa das uvas – na sexta, 28/5, às 19h; no sábado, 30/5, às 11h e 19h, no domingo, 31/5, às 11h. Ao final, serão feitos sorteios, e quem ganhar vai experimentar a prática ao lado dos dançarinos.
Maria do Carmo Basílio, coordenadora geral do evento, ressalta que “trazer a prática da pisa da uva para o festival este ano acrescenta na programação uma conexão ainda mais profunda com nossos imigrantes”. Essa prática é uma tradição no processo da produção de vinho, gravada na história italiana.
A pisa da uva surgiu na Antiguidade como parte essencial da produção de vinho. Após a colheita das uvas, era preciso que elas fossem maceradas, e é nesse ponto que a pisa da uva tem início. Esse método consiste em reunir as frutas em tanques de madeira ou pedra (lagares) e pisar nas uvas em passos ritmados, separando o suco da casca por cerca de duas horas.
Após serem esmagadas, as uvas são pisoteadas livremente por cerca de três horas. Quanto maior o tempo de contato entre a casca da uva e o suco, maior a fermentação, onde os taninos, aromas e cores são liberados, tornando o sabor do vinho mais intenso.
Ao longo do tempo, tecnologias foram inventadas para o processo de fermentação, mas a pisa da uva se mantém. Alguns produtores a utilizam porque consideram que nenhum outro método se mostrou tão eficaz para a produção de vinhos singulares. Isso porque, segundo revistas especializadas, a maioria das prensas mecânicas tende a romper as sementes de uva, potencialmente liberando elementos amargos, muitas vezes indesejáveis. Já o pé humano, não importa o quão forte alguém pise na uva, é incapaz de romper uma semente.
Trazida ao Brasil pelos imigrantes italianos, essa prática significa também a resistência da tradição e da memória. Por isso, tornou-se também uma experiência turística e cultural popular, acompanhada de música italiana, cantos, trajes típicos e degustação de vinhos/sucos para celebrar a união e a colheita.
Outra novidade desta edição do Festival Italiano é o Veneza 1924 Cabernet Sauvignon, vinho produzido na Serra Gaúcha especialmente para o evento. A bebida é de edição limitada e poderá ser adquirida pelo público durante o festival.
Um marco de 20 edições
O Festival Italiano celebra a herança italiana de Nova Veneza (GO), cujos imigrantes chegaram a Goiás por volta do ano de 1912. A cidade é reconhecida como a maior colônia italiana do Centro-Oeste. O evento, que atrai anualmente milhares de pessoas, transformou o município, situado a 29 quilômetros de Goiânia, em um polo gastronômico e cultural.
Ano após ano, o Festival reúne cada vez mais pessoas, registrando novos recordes de público. Em 2025, bateu seu recorde histórico de visitantes, recebendo cerca de 150 mil pessoas nos quatro dias de festa.
Ao longo de 20 edições, a festividade se consolidou, fazendo parte do circuito cultural e gastronômico goiano. Em 2021, foi reconhecido oficialmente como patrimônio cultural imaterial goiano pelo Governo do Estado de Goiás, reforçando a representatividade e força da cultura ítalo-brasileira.
Para a edição de 2026, agendada para 28 a 31 de maio, o público pode esperar uma imersão completa: desde pratos típicos preparados por dezenas de cozinheiras na “Cozinha da Nonna” até apresentações artísticas que narram a história da imigração. O festival reafirma-se como o maior do gênero no Centro-Oeste, reafirmando a identidade cultural da cidade.