Oito em cada 10 autistas adultos estão excluídos do mercado de trabalho

28 de agosto de 2026 às 17:11

Estudos apontam que falta de treinamento é um dos principais gargalos para maior acesso de atípicos a vagas laborais

Para além das dificuldades rotineiramente enfrentadas pela população neurodivergente, quando se fala em trabalho, o cenário é de preconceito e inacessibilidade. De acordo com pesquisa do Instituto Data Senado, 85% dos adultos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estão fora do mercado de trabalho formal. O mesmo levantamento também constatou que 86% dos neurodivergentes empregados entrevistados afirmam terem sofrido alguma forma de capacitismo, ou seja: discriminação devido a sua condição de diagnosticado.

Um dos principais fatores apontados como ligados ao preconceito contra nerudivergentes no sistema de ocupação laboral reside na carência de educação profissional voltada especificamente para essa população. De acordo com o estudo Neurodiversidade no Mercado de Trabalho, publicado em 2024, 86,4% dos entrevistados nunca receberam qualquer tipo de treinamento.

Diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o empresário canedense Samuel Carvalho, candidato a deputado estadual pelo Republicanos, que tem na defesa dos direitos dos neurodivergentes sua principal bandeira, afirma que essa situação de difícil acesso aos canais formais de empregabilidade tem origem no campo da educação. “De acordo com o último Censo, menos de um terço dos adultos autistas conseguiram concluir o ensino fundamental”, informa.

Como resposta para esse cenário, Carvalho propõe o que ele denomina Programa Futuro Divergente. “Precisamos de um pacote de cursos e formações de curto e médio ciclo, destinado a qualificar mão de obra e propiciar vagas de trabalho que pagam melhores salários, com estruturas curriculares já adaptadas às particularidades de aprendizado dos neurodivergentes”, explica.

Dentro dessa proposta, Samuel Carvalho menciona uma grade curricular baseada nas habilidades em potencial comumente desenvolvidas pelos diagnosticados. “Esse programa pode começar com disciplinas como Letramento Digital, Trabalhos com Lógica, Comunicação Assertiva, Rotina Laboral e Soft Skills adaptadas ao mundo corporativo,” descreve o candidato.

No cerne do programa, estaria a possibilidade de os alunos passarem a adentrar em carreiras nas áreas de TI, Programação, Design/Audiovisual/Criação Digital; Administração/Logística/Organização; Geoprocessamento/Cartografia. “As habilidades geralmente exibidas pelos neurodivergentes são preciosas para essas carreiras”, comenta Samuel Carvalho.

Para o candidato, a situação de quase exclusão na qual se encontra a população laboral neurodivergente é um desperdício de potencial. “Os atípicos têm provado o seu valor como empreendedores. A capacidade de concentração, de raciocínio lógico e de aprofundamento nos temas faz deles uma força de trabalho que pode contribuir muito para o esforço produtivo. Quem está perdendo é a nossa economia e a sociedade como um todo”, frisa.