MotoGP deve gerar R$ 130 mi em impostos para Goiás

20 de março de 2026 às 10:58

Crédito: Governo de Góias

Os números em torno da etapa brasileira do MotoGP, que vai se realizar em Goiânia entre os dias 20 e 22 de março, impressionam pela dimensão das cifras. Como parte delas, não deixa de impressionar também a estimativa do volume de impostos gerados por toda a cadeia de valor ligada ao evento: R$ 130 milhões, cifra que abrange tanto arrecadação de ICMS quanto de ISS.

Para se ter uma ideia do valor gerado em poucos dias da atração, basta compará-lo com a dotação de recursos que a Lei Orçamentária Anual (LOA) fixa como receita vinculada a emendas impositivas dos vereadores da capital em 2026. O volume de tributos gerados pelo MotoGP equivale a 70,3% dos R$ 185 milhões desses investimentos públicos feitos com “endereço certo”, a partir da indicação dos parlamentares goianienses.

Não é tarefa fácil pensar nas várias possibilidades de aplicação desse montante. Afinal, os impostos são uma espécie tributária para qual não ocorre destinação vinculada a fatos geradores, como ocorre, por exemplo, com as taxas. Ou seja: apesar de o setor de turismo ter gerado os recursos, nada obriga que eles retornem sob a forma de reinvestimento para o mesmo setor.

Para o economista Cláudio Henrique de Oliveira, membro do Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon-GO), um dos aspectos mais expressivos dos números estimados é sua eficiência em dar retorno, em pouco tempo, para o investimento feito pelo Poder Público no Autódromo Ayrton Senna para receber a atração. “Os R$ 130 milhões em arrecadação direta representam metade do investimento inicial no autódromo, recuperados já pelo primeiro evento, apenas pela via tributária. Isso é um retorno fiscal expressivo”, avalia.

Entretanto, Oliveira alerta para a necessidade de um programa permanente de investimentos públicos no setor. “Esse retorno só se sustenta se a cidade mantiver sua atratividade. E atratividade exige reinvestimento contínuo, não apenas nos anos de corrida ou de eventos excepcionais, mas especialmente nos anos de intervalo entre eles”, observa.

Segundo o presidente da Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), deputado estadual Coronel Adailton (Solidariedade), essa necessidade de reinvestimento contínuo justificaria a destinação direta de pelo menos parte dos recursos fiscais gerados pelo MotoGP para o ramo de atividade econômica responsável pela geração desse montante tributário, o turismo.

“Eu acho que boa parte desses impostos gerados pelo MotoGP deveriam ficar no setor de turismo. As atividades ligadas a essa indústria já demonstraram como elas compensam o investimento, pela geração de emprego e renda. Seria uma medida inclusive social muito relevante para Goiás e Goiânia”, salienta o parlamentar.

Foto: ALEGO