Mercado imobiliário horizontal registra alta de 18% nas vendas no 2º trimestre em Goiás

20 de agosto de 2026 às 13:39

Pesquisa da Brain, em parceria com ADU Goiás e Secovi, mostra queda nos lançamentos e estoque reduzido, mas confirma forte demanda por lotes na região metropolitana de Goiânia

O mercado imobiliário horizontal em Goiás segue aquecido. A pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, realizada para a Associação dos Desenvolvedores Urbanos do Estado de Goiás (ADU Goiás) e Secovi, revelou que no 2º trimestre de 2026 houve um crescimento de 18% nas vendas de lotes em Goiânia e região, mesmo diante da queda nos lançamentos e da redução do estoque disponível. A pesquisa foi apresentada à diretoria e ao conselho da ADU, na manhã desta segunda-feira, 17, na sede do Secovi, por Marcelo Gonçalves, sócio da Brain.

Segundo o levantamento, municípios como Senador Canedo, Goiânia, Hidrolândia e Abadia de Goiás lideraram os lançamentos acumulados nos últimos 12 meses, enquanto o VGV vendido (Valor Geral de Vendas) somou mais de R$ 2,3 bilhões no período. O estudo também aponta que o Venda Sobre Oferta (VSO) permanece elevado, reflexo da escassez de novos empreendimentos frente à demanda crescente.

A análise dos números da Pesquisa Brain/ADU/SECOVI referente ao 2º trimestre de 2026 mostra um mercado imobiliário horizontal em Goiás que, apesar da queda nos lançamentos, segue com vendas expressivas e forte demanda. No acumulado dos últimos 12 meses, foram vendidos 7.388 lotes, número inferior ao pico registrado em 2024, mas ainda significativo diante da retração da oferta. Municípios como Abadia de Goiás (2.002 lotes), Goianira (1.734), Senador Canedo (1.589) e Goiânia (1.427) lideraram as vendas, confirmando o protagonismo da região metropolitana na absorção de empreendimentos.

O levantamento também aponta que em junho de 2026 o estoque total em Goiás era de 15.418 lotes, número inferior ao observado em anos anteriores, quando ultrapassava 19 mil unidades. Goiânia contava com 1.537 lotes disponíveis, enquanto Goianira (3.956) e Senador Canedo (2.435) lideravam a oferta. Essa redução de estoque, somada à queda nos lançamentos, mantém o Venda Sobre Oferta (VSO) elevado e reforça a pressão da demanda sobre o mercado.

De acordo com Marcelo Gonçalves, em síntese, os números mostram um mercado que vive um paradoxo: menos lançamentos e estoques menores, mas vendas em alta e VGV robusto. A valorização dos loteamentos fechados confirma a busca por ativos premium, enquanto os municípios periféricos consolidam-se como polos de expansão.

A pesquisa mostra uma diferença significativa entre os preços médios de lotes em condomínios abertos e condomínios fechados em Goiânia e região. Nos loteamentos abertos, o ticket médio ficou em torno de R$ 235 mil por lote. Esse patamar reflete a atratividade dos empreendimentos mais acessíveis, voltados para famílias das classes médias e populares, que buscam terrenos como forma de investimento ou futura moradia.

Já nos loteamentos fechados, os preços são muito mais elevados. O ticket médio alcançou R$ 463 mil, mas o valor pode chegar a R$ 1,193 milhão por lote. Essa diferença mostra a valorização dos empreendimentos com infraestrutura diferenciada, segurança e exclusividade, que se consolidam como produtos premium no mercado imobiliário horizontal.

A comparação evidencia que o mercado está segmentado. De um lado, os loteamentos abertos seguem como alternativa de investimento e moradia para públicos mais amplos; de outro, os loteamentos fechados se posicionam como ativos de alto padrão, voltados para consumidores com maior poder aquisitivo. Essa dualidade reforça a diversidade da demanda e explica porque, mesmo com estoques menores e lançamentos em queda, o setor mantém vendas em alta e preços valorizados.

O presidente da ADU Goiás, João Victor Araújo, destacou que o cenário reflete a força da demanda habitacional e a redução dos lançamentos. “Essa crescente já vem na série histórica nos últimos 5, 6 trimestres. Isso é um reflexo que, de fato, nós estamos lançando menos loteamento face à demanda que nós temos. Então, você pega o VSO, que é o Venda Sobre Oferta, ele continua alto. Quer dizer que as pessoas estão comprando mais lotes? Eu acredito que não. A pesquisa mostra que não. Mas, na verdade, nós estamos lançando muito menos.”

João Victor ressaltou ainda que, apesar da percepção de um mercado com muitos lançamentos, os números mostram o contrário. “Os lançamentos têm diminuído bastante. Então, de fato, você tem um Venda Sobre Oferta (VSO) maior. Mas uma coisa é clara, a demanda, o déficit habitacional ainda é muito grande. Essa crescente, acredito que ela vai continuar pelo próximo trimestre e fecharemos 2026 com um bom número de vendas também.”

O dirigente lembrou que em 2025 a renda familiar tinha mais folga para aquisição de lotes, especialmente nas classes C e D. Segundo João Victor, no ano passado, o que perceberam é que a renda familiar brasileira tinha um pouco mais de folga para a aquisição do imóvel lote. Para ele, há um percentual bem razoável de poupadores de dinheiro como investimento e é uma forma de você investir em algo que não deprecia e só valoriza.

Em 2026, porém, o cenário mudou. “Hoje a gente percebe a renda familiar um pouco mais exprimida. Você tem uma concorrência com outras preocupações da renda familiar, como as próprias bets. Você percebe a renda familiar muito direcionada a essa situação dos jogos de azar em todo o país, o que é uma pena.”

Apesar dos desafios, João Victor vê pontos positivos. “O pleno emprego em que vivemos, mesmo com todo arrocho das rendas familiares, ainda mostra o quanto as pessoas acreditam em investimento em imóveis. Como as pessoas sabem, principalmente os goianos, sabem o quão é bom e o quanto é rentável investir em imóvel, comprar o seu lote, poupar o seu dinheiro, guardar o seu dinheiro no ativo imobiliário.”