Um episódio ocorrido em uma audiência judicial na Grande São Paulo gerou forte repercussão após a divulgação de imagens que mostram uma testemunha sendo constrangida por sua aparência física. Durante o depoimento, o juiz Cristiano Cesar Ceolin, da 1ª Vara de Mairiporã, interpretou de forma equivocada a expressão facial de uma mulher de 61 anos como sinal de deboche.
A testemunha, que trabalha como empregada doméstica, possui uma condição chamada biprotrusão maxilar, que altera a projeção dos lábios e dificulta o fechamento completo da boca. Mesmo assim, durante a oitiva, ela foi interrompida repetidas vezes com questionamentos sobre estar “rindo” ou “achando graça” da situação, o que causou visível constrangimento.
O caso ocorreu em maio de 2024, mas só veio a público agora, após a divulgação das gravações. A mulher participava da audiência como testemunha em um processo que discute a interdição de bens de uma idosa de 94 anos, para quem trabalhou por anos e que, segundo ela, estava em plenas condições mentais para tomar decisões patrimoniais.
Após a repercussão, o episódio passou a ser apontado como exemplo de despreparo institucional e falta de sensibilidade diante de condições físicas que não se enquadram em padrões estéticos. O caso reacendeu o debate sobre capacitismo, respeito às testemunhas e a postura de autoridades dentro do sistema de Justiça.