Em café com jornalistas nesta quarta-feira (21), a presidente Nívea de Paula apresentou equipe de 26 profissionais voluntários, esclareceu a situação judicial da sede e destacou projetos para a retomada das atividades esportivas e sociais da instituição
O Jóquei Clube de Goiás deu mais um passo em seu processo de reestruturação e retomada das atividades. Durante um café com a imprensa e com oa voluntários selecionados do programa Jóquei em Ação realizado na manhã desta quarta-feira (21), em Goiânia, a presidente da instituição, Nívea de Paula, anunciou o início de um programa de voluntariado que reúne 26 profissionais de diferentes áreas. O encontro também foi marcado por esclarecimentos sobre o processo judicial de desapropriação da sede social, localizada no Centro da capital, e pela apresentação de perspectivas para o futuro do clube, incluindo a realização do Grande Prêmio, previsto para o próximo sábado (24).
Realizado no escritório Berquó Brom Advogados, no Setor Bueno, o encontro reuniu integrantes da diretoria, como Isnard Júnior, vice-presidente e Maurício Roriz, presidente do Conselho do Clube, voluntários e jornalistas para discutir os desafios enfrentados pela instituição e as estratégias adotadas para preservar seu patrimônio histórico, esportivo e social.
Uma das principais novidades apresentadas foi a formação de uma equipe multidisciplinar de voluntários, composta por profissionais das áreas de arquitetura, medicina veterinária, direito, gestão, administração e marketing. O grupo atuará no desenvolvimento e na execução de projetos voltados à recuperação e ao fortalecimento do Jóquei Clube de Goiás, tanto na sede social quanto nas estruturas destinadas às atividades esportivas e ao turfe.
“Hoje, nós somos 26 voluntários de diversas áreas, arquitetura, veterinária, direito, gestão, administração, marketing, que contribuem para a continuidade da história do Jóquei Clube”, destacou Nívea de Paula. Segundo a presidente, o programa terá duração inicial de 90 dias, período em que os participantes trabalharão em conjunto com a diretoria na elaboração e execução de ações estratégicas. Ao término dessa etapa, a expectativa é abrir um novo ciclo de voluntariado, permitindo a participação de outros profissionais interessados em contribuir com a instituição.
A adesão à iniciativa foi recebida com entusiasmo pela administração. Nívea ressaltou que o número de interessados superou as 26 vagas inicialmente preenchidas, demonstrando, na avaliação dela, o vínculo afetivo que parte da população mantém com o clube. “Quando a gente vê esse movimento e uma quantidade de inscrições de pessoas que querem dedicar seu tempo em prol dessa causa, isso nos alegra muito. Isso nos mostra que estamos no caminho certo”, afirmou.
Entre os profissionais que aderiram à iniciativa está o arquiteto e urbanista Roberto Lourenço, que vê no programa uma oportunidade de contribuir para a preservação do patrimônio arquitetônico e afetivo do Jóquei Clube. Para ele, a mobilização representa a possibilidade de construir um futuro para a instituição sem perder de vista sua importância histórica para Goiânia. “Fiquei muito empolgado com essa iniciativa de tentar uma certa reformulação, de buscar um entendimento da memória do Jóquei como um todo e dessa busca por um futuro um pouco mais bem construído e estruturado”, afirmou.
O arquiteto destacou especialmente a relevância da sede social projetada por Paulo Mendes da Rocha, um dos grandes nomes da arquitetura brasileira. Segundo ele, o edifício integra o legado arquitetônico do profissional e representa uma contribuição significativa para o patrimônio cultural da capital. “Estou aqui principalmente por essa memória e também pela memória de Paulo Mendes da Rocha, o arquiteto que fez a sede no centro. O Jóquei Clube faz parte desse acervo de uma maneira muito importante e representa boa parte da técnica que ele trouxe ao longo de toda a carreira”, ressaltou.
Além da ligação profissional, Roberto também mantém uma relação afetiva com o clube. Ele contou que seus pais frequentavam o espaço e que, durante sua formação acadêmica, chegou a desenvolver um trabalho de conclusão de curso sobre a Rua 3, considerando possibilidades de transformação urbana relacionadas ao Jóquei.
Para o voluntário, a recuperação da instituição ultrapassa a preservação de um edifício e envolve o resgate das experiências de gerações de goianienses que fizeram do clube um espaço de convivência. “É aquela coisa de conversar com o vizinho e ele dizer: ‘Nossa, eu nadei no Jóquei durante muitos anos. Aqueles foram talvez os anos mais felizes da minha vida’”, relatou.
Na avaliação de Roberto, a união de profissionais de diferentes especialidades demonstra que a recuperação do Jóquei Clube envolve tanto o patrimônio material, representado pela arquitetura e pelas instalações, quanto o imaterial, formado pelas histórias, lembranças e vínculos construídos ao longo de décadas.
O desejo de participar dessa reconstrução também mobilizou a advogada Dayane Rodrigues Ribeiro, que integra o grupo de voluntários. Ela afirmou que, embora não tenha vivenciado a época de maior movimentação do clube, deseja fazer parte de sua nova história. “Eu não tenho essa experiência, mas quero ter. É um projeto muito lindo, que vem sendo construído, e acredito que ele está em um bom caminho. A administração nova vem trazendo forças de todos os ramos, de todas as áreas, e vamos vivenciar um novo tempo do Jóquei”, declarou.
Também integrante da mobilização, o arquiteto e urbanista Kildere Whikichan, secretário-executivo do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas de Goiás, que também vai atuar como voluntário nessa ação, ressaltou a importância da recuperação do espaço para a preservação da memória coletiva e a convivência social.
Segundo ele, a contribuição técnica dos profissionais começará por um inventário das condições estruturais do imóvel, com identificação de patologias construtivas e definição dos tratamentos necessários. “É um espaço muito importante para que famílias possam conviver. Revitalizar aquele local, torná-lo útil novamente para a sociedade, certamente trará melhorias para os goianos”, destacou.
A presidente também reconheceu as dificuldades financeiras enfrentadas pelo Jóquei Clube e destacou que a colaboração voluntária representa uma alternativa importante para viabilizar projetos e ampliar a capacidade de atuação da instituição. Atualmente, a estrutura administrativa reúne 33 integrantes entre diretoria e conselho, que passam a contar com o apoio dos 26 profissionais selecionados.
Para Nívea, a mobilização representa mais do que um reforço operacional. Trata-se de uma demonstração de que a história do clube permanece viva na memória dos goianienses. “A capital cresceu no entorno do Jóquei Clube. As pessoas viveram a época áurea do Jóquei Clube, praticaram esportes, casaram, namoraram, conviveram ali. Não só o esporte, mas a vida social foi muito ativa do Jóquei Clube com Goiânia”, relembrou.
A dirigente acrescentou que a recuperação da instituição também deve ser compreendida sob a perspectiva da cidadania, considerando sua contribuição histórica para o esporte, o convívio social, o bem-estar animal e a preservação ambiental.
Desapropriação
Outro assunto que ganhou destaque durante a conversa com os jornalistas foi o processo judicial envolvendo a desapropriação da sede social pela Prefeitura de Goiânia. A diretoria abordou a decisão judicial que determina o depósito integral pelo município e esclareceu dúvidas sobre os desdobramentos da disputa.
Nívea enfatizou que, enquanto o processo estiver em andamento, o Jóquei Clube permanece como proprietário e detentor da posse do imóvel, podendo desenvolver atividades e projetos no espaço, observadas as exigências legais aplicáveis. “A propriedade e a posse são do Jóquei Clube. Então, apesar do processo de desapropriação, nós somos proprietários e estamos na posse do imóvel. Então, tudo o que quisermos realizar ali, nós podemos fazer”, declarou.
De acordo com a presidente, o processo ainda está em discussão e envolve etapas de perícia, não havendo, portanto, uma definição final sobre o destino do imóvel. A instituição pretende continuar cuidando de seu patrimônio enquanto aguarda os próximos encaminhamentos judiciais.
A possibilidade de construção de um novo Jóquei Clube também foi abordada. Nívea confirmou a existência de um projeto para uma futura estrutura, mas ponderou que a prioridade, neste momento, é preservar e valorizar os espaços já existentes. “Nós temos um projeto, sim, para um novo Jóquei, mas precisamos trabalhar hoje com a realidade que temos. Vamos cuidar daquilo que temos. Existe, sim, um projeto para um novo Jóquei Clube, mas ele é decorrente de todo esse processo. Primeiro a gente cuida da casa, depois desenvolve o novo”, explicou.
Além da sede histórica no Centro de Goiânia, a instituição destacou a importância do Hipódromo da Lagoinha para as atividades esportivas e ambientais. Segundo Nívea, a área desempenha papel relevante na preservação ambiental e na absorção de águas pluviais, contribuindo para reduzir problemas de alagamento na região.
A retomada do protagonismo esportivo e social também integra os planos da administração. Entre as possibilidades discutidas estão a criação de equipes esportivas profissionais, a ampliação das atividades ligadas ao turfe e o desenvolvimento de novos projetos capazes de aproximar novamente o Jóquei Clube da população.
Grande Prêmio no sábado
No calendário esportivo, a próxima atividade destacada pela instituição é o Grande Prêmio, marcado para sábado, 24 de outubro. A corrida integra os esforços para manter viva a tradição do turfe e fortalecer a ligação do clube com suas origens esportivas. Ao final do encontro, Nívea demonstrou confiança nos próximos passos da gestão e destacou que a participação dos voluntários representa um marco importante para o futuro da instituição.
“Espero que seja um sucesso. Para mim, só este início já é um sucesso. E espero que consigamos trazer resultados e entregar resultados”, ressaltou. Segundo Nívea, entre os desafios jurídicos, as limitações financeiras e a mobilização de profissionais dispostos a colaborar, o Jóquei Clube de Goiás busca construir uma nova etapa de sua trajetória. “A proposta da atual gestão é conciliar a preservação de um patrimônio ligado à história de Goiânia com a criação de oportunidades para que o clube volte a ocupar espaço de destaque na vida esportiva, social e cultural da capital.”