Inclusão e acompanhamento multiprofissional garantem autonomia e desenvolvimento de crianças com autismo na escola

10 de abril de 2026 às 08:55

Integração entre escola, família e suporte profissional contribuem para um melhor aprendizado e adaptação às rotinas durante os estudos

Para crianças e adolescentes autistas, a escola não é apenas um espaço de aprendizado formal, mas também o principal ambiente de convivência social e desenvolvimento da autonomia. Apesar disso, o sistema educacional ainda enfrenta dificuldades para oferecer uma inclusão efetiva. Um dos principais obstáculos enfrentados está na adaptação do ensino, já que o autismo se manifesta de formas diferentes em cada indivíduo, exigindo estratégias pedagógicas mais flexíveis e personalizadas.

Os desafios enfrentados por crianças com Transtorno do Espetro Autista (TEA) nas escolas vão além do aprendizado acadêmico. Muitas delas apresentam dificuldades para interagir com colegas, participar de atividades em grupo, seguir regras sociais e expressar suas necessidades. Além disso, a comunicação limitada e a resistência a mudanças na rotina também dificultam a adaptação a novas atividades ou professores, gerando ansiedade e desorganização. Assim, é essencial que escolas ofereçam apoio especializado, ambientes acolhedores e estratégias pedagógicas personalizadas para garantir inclusão e aprendizado efetivo.

A psicopedagoga e especialista em neuropsicopedagogia, Mônica Arão, que atua na Affect Centro Clínico e Educacional, clínica voltada ao acompanhamento de crianças com o transtorno, considera fundamental a parceria entre as escolas e as clínicas que acompanham as crianças com TEA. “O ambiente escolar é considerado um espaço-chave para o desenvolvimento, mas também exige preparo por parte dos educadores. Os professores precisam de suporte para lidar com as demandas específicas do TEA, elaborando materiais personalizados para tornar o ensino mais inclusivo e eficaz”, pontua.

Segundo a psicopedagoga Clínica e Educacional Taciana Faria, que integra a equipe multiprofissional da Affect, quando a escola está preparada, a criança com TEA encontra um ambiente acolhedor que favorece o aprendizado e que a acomodação sensorial é fundamental no acompanhamento de crianças com TEA. “Muitas apresentam hipersensibilidade ou hipossensibilidade a sons, luzes, texturas e movimentos, afetando concentração e participação. Por isso, é recomendado o uso de recursos como almofadas de peso, brinquedos táteis e fones abafadores, que ajudam na autorregulação, reduzem a ansiedade e aumentam o foco”, explica.

A psicóloga Jacqueline Rodrigues, especialista em Psicologia Clínica e mestra em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), que também integra a equipe multiprofissional da Affect Centro Clínico e Educacional, diz que crianças com autismo enfrentam vários desafios na escola, principalmente na interação social. “Elas tem dificuldade para iniciar e manter relações, participar de atividades em grupo, compreender regras sociais e compartilhar interesses, o que pode levar ao isolamento ou gerar conflitos no convívio com colegas”, sublinha.

Jacqueline destaca que a comunicação é um dos maiores desafios enfrentados por crianças com TEA, devido às limitações tanto na compreensão quanto na expressão da linguagem, o que pode dificultar a participação em atividades coletivas e a interação com colegas. Além disso, ela ressalta que a rigidez em relação à rotina é um fator crítico, já que muitas crianças apresentam resistência às mudanças e têm dificuldade para se adaptar a novas tarefas ou professores. “Estabelecer uma rotina previsível é fundamental para oferecer segurança, estabilidade e favorecer o desenvolvimento diário dessas crianças”, observa.

Josiane Silva, mãe de Fernando Silva, criança diagnosticada com a rara Síndrome de Dravet associada ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), relata avanços importantes no desenvolvimento do filho, que é acompanhado pela Clínica Affect. Segundo ela, o atendimento especializado tem sido fundamental para ampliar a autonomia da criança.

“Ele já consegue realizar atividades cognitivas básicas e apresenta progressos significativos na rotina diária, na adaptação, aprendizado e participação nas atividades em sala de aula. Antigamente eu não conseguia ir ao restaurante, sair com ele, porque ele não tinha paciência de esperar. Hoje já consigo ir ao restaurante, eu consigo ir numa pizzaria, ele já fica sentado. O comportamento tem melhorado bastante”, arremata. Em maio, a equipe multiprofissional da Affect estará em Uberlândia, Minas Gerais, para capacitação nas áreas de educação e inclusão.