Tecnologia, disponível no SUS, é destinada a casos específicos de surdez severa ou profunda e é considerada quando aparelhos convencionais não apresentam resultados suficientes
Goiânia, 10 de setembro de 2026 – Ouvir uma conversa, acompanhar uma aula ou reconhecer a voz de uma pessoa querida são experiências que podem ser comprometidas pela perda auditiva. Embora existam diferentes graus e causas para o problema, algumas pessoas podem se beneficiar de tecnologias específicas, como o implante coclear. Segundo dados do Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,6 milhões de pessoas no Brasil tinham dificuldade para ouvir mesmo usando aparelhos auditivos.
O cenário também chama atenção em escala mundial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,5 bilhão de pessoas vivem com algum grau de perda auditiva, e cerca de 430 milhões necessitam de serviços de reabilitação auditiva.
O implante coclear é uma das tecnologias disponíveis para determinados casos. Diferentemente do aparelho auditivo convencional, que amplifica os sons, o dispositivo transforma os estímulos sonoros em sinais elétricos que estimulam diretamente o nervo auditivo.
“O implante coclear não funciona simplesmente aumentando o volume dos sons. Ele utiliza uma tecnologia que capta e processa os sons, permitindo que essas informações sejam transmitidas ao nervo auditivo”, explica o otorrinolaringologista e pioneiro da técnica no estado de Goiás, Gustavo Jorge.
O dispositivo possui uma parte externa e componentes internos implantados por meio de cirurgia. Após o procedimento, o paciente passa por uma etapa de ativação, ajustes do equipamento e reabilitação auditiva.
“A cirurgia é uma etapa importante, mas o processo não termina ali. O acompanhamento e a reabilitação são fundamentais para que o paciente possa aprender a interpretar esses novos estímulos sonoros”, afirma o especialista.
Quando o implante é indicado
O implante coclear não é indicado para todas as pessoas com perda auditiva. O dispositivo pode ser recomendado, principalmente, para pacientes com perda auditiva neurossensorial bilateral de grau severo a profundo que não obtêm benefício suficiente com aparelhos auditivos convencionais.
A indicação é individualizada e considera fatores como o grau da perda, o desempenho com aparelhos auditivos, a idade e as condições do paciente para passar pelo processo de reabilitação.
“Não existe uma única solução para todas as pessoas com perda auditiva. É preciso avaliar a causa, o grau da perda e os resultados obtidos com outras tecnologias para definir qual tratamento pode trazer mais benefícios para cada paciente”, explica Gustavo Jorge, que defende uma avaliação precoce de cada caso. “Quanto mais cedo conseguimos identificar uma perda auditiva importante e indicar o tratamento adequado, maiores podem ser as possibilidades de desenvolvimento da comunicação.”
Tecnologia disponível pelo SUS
O implante coclear também está disponível pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para pacientes que atendem aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O procedimento é realizado em centros especializados, que também oferecem acompanhamento e reabilitação. Em Goiânia, o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer) é habilitado para realizar o procedimento pela rede pública e oferece atendimento multiprofissional aos pacientes.
“O implante coclear representa uma possibilidade importante para pessoas com perdas auditivas mais graves. Mas a indicação precisa ser feita após uma avaliação criteriosa, porque o objetivo é oferecer ao paciente o recurso que realmente possa trazer benefícios para sua audição e qualidade de vida”, conclui Gustavo Jorge.
Legenda para foto: “O implante coclear pode ser indicado para pessoas com perdas auditivas severas ou profundas que não obtêm benefício suficiente com aparelhos auditivos”, explica o otorrinolaringologista Gustavo Jorge, pioneiro da técnica em Goiás (Imagem: divulgação)