Ifag posiciona equipes antiatolamento na GO-178 para auxiliar no escoamento da safra

23 de janeiro de 2026 às 10:30

Rodovia em obras terá reforço de manutenção para viabilizar o transporte de pelo menos 80 mil toneladas da produção de soja nas propriedades da região

Com o início da colheita da safra de soja nos primeiros dias de fevereiro, o Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária em Goiás (Ifag) organiza equipes antiatolamento para auxiliar as carretas que vão transportar os grãos na GO-178, em Jataí. A entidade, vinculada à Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), conduz desde setembro, com recursos do Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), as obras de asfaltamento na via, no trecho entre o trevo da BR-364 e o entroncamento da GO-306.

Um levantamento do próprio Ifag aponta que trafegam anualmente no percurso de 38,8 quilômetros cerca de 15 mil carretas, transportando aproximadamente 500 mil toneladas de produtos agropecuários, entre insumos, animais e grãos. O estudo considera apenas o volume da produção agropecuária nas 1.016 propriedades rurais das cercanias da rodovia, sem considerar o trafego acessório de outros produtos e de outras regiões que acessam a estrada.

O presidente do Ifag, Armando Rollemberg, esclarece que mesmo no período chuvoso os operários seguem atuando em intervenções de drenagem (construção de bueiros) e na realocação de cercas, entre outros. “O maquinário tem feito agora um reforço emergencial na manutenção das vias de serviço para melhorar a trafegabilidade e a segurança no leito da rodovia em obras, devido à grande intensidade de chuvas na região Sudoeste”, explica o presidente do Ifag.

Rollemberg esteve no trecho em obras da GO-178 no último dia 20 e determinou pessoalmente que a construtora CCL posicione equipes antiatolamento para eventualmente socorrer os caminhoneiros que vão escoar a produção de soja. O Ifag estima que serão transportadas ao menos 80 mil toneladas da leguminosa nas próximas semanas, além de outras cerca de 8 mil toneladas de insumos para viabilizar a safrinha de milho.

Evolução das obras

A obra na GO-178 obteve o maior progresso entre os contratos do Fundeinfra com o Ifag. Na GO-180, também no Sudoeste Goiano, a evolução é similar, discretamente inferior. Sobre as demais intervenções, na GO-147 (entre Bela Vista de Goiás e Silvânia) e na GO-461 (Doverlândia), os trabalhos ainda estão em fase inicial. Armando pondera que a pouca evolução nessas duas últimas rodovias se deve ao fato de que as ordens de serviço foram despachadas no limite do início das águas. “Nesse meio tempo foi realizado o planejamento de ação, o detalhamento dos projetos executivos e a mobilização de homens e maquinário. Com o fim das chuvas, as obras vão ganhar um impulso grande”, garante.

O avanço das obras conduzidas pelo Ifag também foi limitado em razão de questões de ordem política, depois de uma ação judicial protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) resultar na paralização total das obras. O ministro Alexandre de Moraes concedeu uma liminar ao PT em 12 de outubro. Dias depois, após defesa do Ifag e do governo estadual, Moraes esclareceu que sua decisão não anulava atos anteriores à liminar e que, desse modo, as obras poderiam continuar. Durante esse processo, as construtoras perderam pelo menos 15 preciosos dias em plena estiagem.

Neste momento de chuva pesada, a engenharia foca nesse “trabalho de base” e de escritório, essencial para quando o sol abrir. Enquanto o solo está encharcado e impróprio para terraplanagem, as equipes atuam na drenagem e, principalmente, no detalhamento dos projetos. “Esse processo é fundamental para consolidar soluções técnicas mais robustas, compatibilizadas e precisas, reduzindo incertezas e retrabalhos futuros. Com isso, cria-se a base técnica necessária para que, no retorno do período de estiagem, a execução física avance de forma mais rápida, eficiente e segura”, explica.

O presidente do Ifag aponta que os engenheiros utilizam softwares avançados de monitoramento climático. Quando o solo satura, ou seja, fica encharcado demais, a atividade para imediatamente para não comprometer a qualidade da base da estrada. “Até o momento, não houve nenhuma intercorrência inesperada. O cronograma segue ajustado para o clima, com monitoramento ambiental contínuo.”

Desenvolvimento, emprego e renda

Dados do Ifag projetam que a obra na GO-178 trará um retorno de R$ 3,46 para cada R$ 1 investido em receita bruta agropecuária, além de aumentar a capacidade logística da via em 183,5%. A obra, que consumirá investimentos de R$ 108 milhões, também gerará 2533 empregos formais diretos por ano.

A pavimentação da GO-178 beneficiará diretamente Jataí, Itarumã, Caçu, Serranópolis e Aparecida do Rio Doce. Além das 1016 propriedades rurais, a rodovia asfaltada integrará 516 quilômetros de estradas vicinais, com a projeção de gerar mais de 495 quilômetros de vias internas e de acesso.

A estimativa é que a estrada passe a suportar o tráfego de 39.427 caminhões por ano, mais que o dobro do trânsito atual. A movimentação de cargas atingirá 1,49 milhão de toneladas, um acréscimo de 990 mil toneladas. “A pavimentação da GO-178 não apenas impulsionará o desenvolvimento econômico dos municípios beneficiados, mas também consolidará a região como um polo estratégico para a produção e exportação agropecuária, contribuindo para o crescimento sustentável e a competitividade do estado de Goiás”, resume Rollemberg.

Legendas/Créditos:
Foto 1: Equipes antiatolamento irão auxiliar carretas que vão transportar grãos na GO-178 (Divulgação/Ifag)
Foto 2: Rodovia em obras terá reforço de manutenção para viabilizar o transporte de 80 mil toneladas de soja (Divulgação/Ifag)