Excesso de peso pode aumentar o risco de hipertensão, alterações no colesterol e outros fatores associados às doenças cardiovasculares
Goiânia, 21 de agosto de 2026 – O excesso de peso na infância deixou de ser apenas uma questão relacionada à alimentação e à aparência e passou a representar também um alerta para a saúde cardiovascular. Segundo dados do Sisvan (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional), referentes a 2025, 43.900 crianças de zero a dez anos acompanhadas pela APS (Atenção Primária à Saúde) em Goiás foram classificadas com obesidade. O número corresponde a 9,34% das 469.899 crianças avaliadas no estado.
Segundo o órgão, cerca de 6,4 milhões de crianças brasileiras menores de 10 anos apresentam excesso de peso, sendo que aproximadamente 3,1 milhões têm obesidade. Na infância, a condição pode estar associada a alterações metabólicas e ao desenvolvimento de problemas como hipertensão, dislipidemia, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica, fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares.
A cardiopediatra Mirna de Sousa explica que o acompanhamento do crescimento permite identificar alterações ainda nos primeiros anos de vida e orientar os cuidados necessários. “Mais do que observar o peso isoladamente, é importante acompanhar a evolução do crescimento da criança e identificar precocemente qualquer mudança fora do esperado. Esse cuidado permite agir antes que alterações metabólicas ou cardiovasculares se estabeleçam”, afirma.
Sinais de alerta
O aumento acelerado de peso, o sedentarismo, o cansaço desproporcional durante atividades físicas e a falta de disposição para brincar são sinais que merecem atenção. Alterações na pressão arterial também devem ser investigadas, especialmente porque a hipertensão e o colesterol elevado podem não provocar sintomas.
“O acompanhamento pediátrico regular é importante justamente porque nem sempre a criança vai apresentar sinais. A avaliação permite verificar peso, crescimento e pressão arterial e, quando houver indicação, investigar colesterol e glicemia”, orienta Mirna.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, crianças podem apresentar colesterol elevado mesmo sem aparentarem excesso de peso. A avaliação pode ser indicada em situações específicas, como obesidade, diabetes ou histórico familiar de doença cardíaca ou colesterol alto.
A prevenção envolve toda a família e deve priorizar alimentação equilibrada, atividade física regular, redução do consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas e uma rotina adequada de sono. Mais do que controlar o peso, o objetivo é favorecer um crescimento e desenvolvimento saudáveis.
É o que faz a servidora pública Djully Caroline Cunha, mãe de Henrique, de 1 ano. Desde que começou a introdução alimentar do filho, ela procura oferecer diferentes alimentos e observar quais são mais bem aceitos por ele. Com orientação da pediatra, a família utiliza uma planilha para registrar os alimentos oferecidos, a frequência e possíveis reações. “A primeira infância é a fase que eles mais aprendem e, na minha opinião, a alimentação saudável é fruto do aprendizado como qualquer outra habilidade”, relata.
Segundo Djully, as refeições do filho são preparadas em casa, e a família procura variar os alimentos de acordo com o que encontra disponível na feira. Para facilitar a rotina, também são congeladas porções prontas para os dias mais corridos.
“Cuidar da saúde cardiovascular começa muito antes da vida adulta. Criar hábitos saudáveis na infância ajuda a reduzir fatores de risco e pode prevenir doenças que se manifestariam anos depois”, destaca a cardiopediatra Mirna de Sousa.