Pressão do crédito, custos elevados e dependência do agronegócio colocam empresas goianas no centro do mapa nacional da crise empresarial
O avanço dos pedidos de recuperação judicial em 2026 escancara uma concentração regional cada vez mais clara no Brasil. Estados com forte presença de empresas de médio porte e elevada dependência de cadeias produtivas intensivas em crédito lideram esse movimento. Nesse cenário, Goiás se destaca como um dos estados com crescimento mais relevante de pedidos, especialmente nos setores ligados ao agronegócio, agroindústrias, logística, transporte e serviços associados à produção rural.
Levantamentos recentes de dados judiciais e de birôs de crédito mostram que, embora o Sudeste concentre o maior volume absoluto de recuperações judiciais, o Centro-Oeste chama atenção pelo crescimento proporcional, com Goiás figurando de forma recorrente entre os estados com maior incidência no segmento agroempresarial. O fenômeno reflete um ambiente de margens comprimidas, crédito mais caro e seletivo e dificuldades de rolagem de dívidas estruturadas em ciclos longos.
No estado, empresas que cresceram nos últimos anos impulsionadas por financiamentos, CPRs, contratos de fornecimento e operações de barter passaram a enfrentar um cenário mais restritivo. Oscilações de preços, aumento de custos operacionais, gargalos logísticos e maior rigor das instituições financeiras reduziram a liquidez e aceleraram a busca por mecanismos de reorganização.
Outro fator que amplia o impacto regional é o efeito dominó provocado pelas recuperações judiciais. Quando uma empresa entra em crise, fornecedores, transportadoras, cooperativas, produtores e prestadores de serviço locais sentem imediatamente os reflexos, ampliando o risco de novas dificuldades dentro da mesma região econômica.
Para o advogado empresarial Eliseu Silveira, especialista em reestruturação e recuperação judicial, o cenário exige mudança de postura por parte dos empresários. “A realidade de Goiás mostra que a recuperação judicial deixou de ser um sinal de fracasso. Em muitos casos, ela é uma decisão estratégica para empresas viáveis que precisam reorganizar dívidas, proteger o caixa e preservar operações. O problema é insistir em soluções improvisadas e buscar auxílio jurídico apenas quando a crise já está instalada. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de reorganização real”, afirma.
O contexto reforça a importância de planejamento jurídico-financeiro, análise preventiva de riscos, revisão de contratos e renegociação estruturada de passivos. Em um ambiente de crédito restrito e alta pressão sobre custos, a forma como a empresa reage à crise pode determinar não apenas sua sobrevivência, mas também a estabilidade econômica de toda a região onde está inserida.
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