Profissional de educação física e candidato à Alego recomenda treino em academia adaptada a necessidades de jovens como forma de combate eficaz a condição
Uma em cada três crianças goianas ou está acima do peso ou está obesa, de acordo com indicadores do Ministério da Saúde (MS). Segundo o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) órgão vinculado ao MS, 43.900 das 469.899 crianças de zero a 10 anos avaliadas encontram-se obesas. A conclusão do documento é alarmante: Goiás abarca 40% dos casos de obesidade infantil de toda a região Centro-Oeste.
Uma alternativa abordada de forma crescente nas discussões sobre o tema envolve o uso de programas dentro de academias, ou no formato de treinos nesse tipo de estabelecimento, como forma de combate à obesidade infantil. Os críticos afirmam que esse tipo de exigência pode atrapalhar o desenvolvimento físico e psíquico de crianças e adolescentes.
O educador físico, empresário e candidato a deputado estadual Felipe Mabel (Podemos) não só discorda das críticas como propõe um método de treino adaptado a essas faixas etárias e que pode, com o auxílio de tratamento médico adequado, levar a resultados eficientes na superação desse quadro.
Para Felipe Mabel, o principal objetivo de um treino ambientado em academia é modificar a relação da criança acima do peso ou obesa com o movimento. “Além disso, é preciso adicionar uma dimensão lúdica aos exercícios, fazendo com que essa dimensão supere, para a criança ou o adolescente, essa cobrança de resultado, como acontece com um adulto”, explica.
Mabel indica que um treino assim elaborado deve seguir uma estratégia de evitar a sobrecarga articular. “Essas crianças e jovens já vivem com suas articulações sob estresse. Esse quadro não pode ser piorado com uso de cargas inadequadas. Se adultos ficam desestimulados de treinar ficam desestimulados com quadros de dor aguda, imagine uma criança”, observa. Outro aspecto que o educador físico e candidato destaca é a ‘gamificação’ da rotina de treino. “O que é ‘gamificar’? É tornar a tarefa em algo inspirado em um jogo, para atingir essa dimensão lúdica”, informa.
Mabel sugere um treino de 45 minutos, executado de três a quatro vezes por semana, dividido em três partes. “O primeiro seria um aquecimento de 10 minutos, na forma de um jogo. Pode ser até mesmo uma brincadeira de pega-pega. Em seguida pode vir um treinamento funcional, de 20 minutos, com agachamentos, steps baixos imitando animais, ou slam ball na parede. A terceira parte seria de uns 15 minutos de cardio. Essa parte pode conter brincadeiras como pula-corda, mini-trampolim ou corridas de tipo tiro para buscar objetos”, explica.
O profissional destaca, porém, o caráter imprescindível de uma alimentação saudável nessa trajetória rumo à faixa ideal de peso por crianças e adolescentes. “Aqui vale o mesmo que se diz sobre a relação entre alimentação e treino: é de 70% para nutrição e 30% para o treino. Isso tudo sem descuidar das necessidades de crescimento e formação, que devem ser consideradas ao se montar uma dieta adequada, paralelamente à atividade física”, ressalta.