Neurocientista aponta que impulsividade, agressividade verbal e dificuldade de autocontrole podem ter origem neurofisiológica e impactar decisões políticas
Retrucar falas bruscamente, rispidez e asperezas nas palavras, além de distratar adversários políticos, sem pensar nas consequências, podem ser alguns sintomas de um cérebro desregulado, segundo a neurocientista e neuropsicóloga Conceição Barbosa.
Conceição Barbosa dá dicas de como manter o cérebro regulado para os players políticos que vão disputar as eleições neste ano, principalmente os que concorrerão aos cargos majoritários (presidente e vice-presidente, governador e vice-governador).
A regulação cerebral refere-se principalmente à autorregulação do fluxo sanguíneo cerebral (FSC), um mecanismo fisiológico que mantém o aporte constante de sangue e oxigênio ao cérebro, independente de variações na pressão arterial. Esse processo protege o cérebro contra danos isquêmicos ou hemorrágicos, ajustando vasos sanguíneos via vasoconstrição/vasodilatação.
Conceição Barbosa também faz um alerta sobre pessoas que exercem cargos majoritários, sejam eles políticos, ou que estejam na administração pública ou privada. Ela destaca que o cargo pede rigores, principalmente comportamentais e emocionais.
A neurocientista lembrou um caso recente no meio político, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro, não manteve controle emocional o suficiente durante a maior crise de saúde mundial, a Covid-19, destacando que falas como as que ele fez – “só uma gripezinha” ou “não sou coveiro” – foram ditas e registradas, e mostravam falta de regulação cerebral e emocional.
“O que se espera é que uma pessoa pública que exerce um cargo majoritário, ou mesmo esteja na administração pública ou privada, tenha uma boa oratória, um bom discurso. Quando um chefe de estado usa gírias demais, metáforas e vícios de linguagem isso pode não ser levado a sério pela população brasileira. O cargo exige acima de tudo, postura e regulação.
Em contrapartida, Conceição mencionou, ainda, que nenhum presidente dos Estados Unidos sofre de desregulação cerebral e emocional, ou mesmo tiveram infartos e Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs), porque há anos adotam técnicas de regulação cerebral e neuromodulação, tratamentos não invasivos e não medicamentosos que utilizam eletrodos.
Como regular o cérebro
Para fortalecer o equilíbrio neuroemocional, a especialista recomenda a adoção de hábitos que favoreçam a saúde cerebral e a estabilidade psicológica. Entre as principais dicas estão:
• manter rotina de sono regular e reparador
• praticar atividade física aeróbica
• adotar alimentação equilibrada e anti-inflamatória r
• reduzir níveis de estresse crônico
• estimular o cérebro com leitura, aprendizado e desafios cognitivos
• praticar técnicas de relaxamento, como meditação e respiração consciente
Além das mudanças no estilo de vida, Conceição Barbosa ressalta a importância de intervenções terapêuticas especializadas para potencializar a regulação cerebral. Entre os tratamentos utilizados estão o neurofeedback e a neuromodulação não invasiva, como a estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), técnicas que atuam diretamente na reorganização das redes neurais e na melhora do equilíbrio entre emoção e razão.
Esses métodos são aplicados no Instituto de Neuropsicologia do Amazonas (Inepam), onde a especialista desenvolve protocolos voltados para regulação cerebral, reabilitação neurocognitiva e fortalecimento das funções executivas.
Sobre Conceição Barbosa
Ela é neurocientista, neuropsicóloga e neurofisiologista, sendo referência e pioneira na Região Norte e na Amazônia no uso de neurofeedback e neuromodulação. Habilitada em CIF e Avaliação e reabilitação neurocognitiva associada a estimação magnética e corrente contínua (tDCS) -neuromodulação não invasiva. Com aplicação direta em tratamentos de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em pacientes com sequelas de AVC e TCE, Alzheimer, infarto, lesões neurológicas e acidentes que envolvem o cérebro.