Canetas emagrecedoras causam pedra na vesícula? Médico explica o que realmente aumenta o risco

16 de junho de 2026 às 10:21

Especialista do Hospital Mater Dei Goiânia detalha o que acontece no organismo durante a perda acelerada de peso e quais sinais merecem atenção

O uso crescente de medicamentos injetáveis para tratamento da obesidade — as chamadas canetas emagrecedoras — tem levado especialistas do Hospital Mater Dei Goiânia a reforçar a necessidade de acompanhamento médico.

De acordo com o cirurgião bariátrico Dr. Fábio Faleiro, o risco não está na medicação em si, mas na velocidade da perda de peso. “Está na perda de peso acentuada em um curto espaço de tempo”, explica.

Estudos mostram que em cirurgias bariátricas cerca de 30% dos pacientes desenvolvem cálculos biliares devido à rápida redução de peso. Na prática, qualquer método que promova emagrecimento acelerado pode levar à mesma complicação.

Por que emagrecer muito rápido favorece pedras na vesícula

Especialistas apontam que o emagrecimento rápido faz o fígado liberar grande quantidade de colesterol na bile. Com a bile mais saturada, surgem cristais que podem virar pequenas pedras.

Esse mecanismo já era observado após dietas muito restritivas e cirurgias bariátricas. O Dr. Fábio Faleiro explica que, durante o emagrecimento acelerado, ocorre “uma sobrecarga de sais biliares na vesícula biliar” que provoca a formação de “microcálculos e cálculos”.

O especialista enfatiza que o mesmo processo se aplica aos pacientes que fazem cirurgia bariátrica: “Para o paciente que faz bariátrica acontece um processo idêntico, o mecanismo fisiopatológico é exatamente o mesmo.” Assim, seja por cirurgia ou por caneta, o fio condutor é a perda de peso muito rápida.

Sinais de alerta e acompanhamento médico

Os sintomas típicos de cálculo na vesícula incluem dor em cólica no abdome superior direito, náuseas, vômitos e má digestão após refeições gordurosas. O Dr. Fábio Faleiro relata que muitos pacientes percebem “dor abdominal em cólica, náuseas e vômitos, sensação de má digestão, especialmente após consumir alimentos ricos em gordura”.

No entanto, ele lembra que “uma grande parte dos casos é assintomática”, sendo descoberta apenas em exames de rotina. Por isso, o médico destaca que é fundamental acompanhar o tratamento com exames periódicos.

Não existem medidas específicas capazes de prevenir totalmente o risco de cálculos nesse contexto. Até hoje, o único recurso farmacológico é o ácido ursodesoxicólico, mas sem comprovação científica robusta para uso regular.

“Existe um medicamento chamado ácido ursodesoxicólico que pode ter algum benefício, mas não há nível de evidência robusto na literatura médica para recomendar seu uso rotineiro”, observa Faleiro.

Em vez disso, ele indica vigilância ativa. “A busca ativa através de ultrassonografias seriadas é a conduta mais indicada” durante o emagrecimento acelerado, seja com caneta ou cirurgia. Esse procedimento busca identificar qualquer formação de cálculos antes que cause complicações mais graves, como inflamação da vesícula ou pancreatite.

O especialista do Hospital Mater Dei Goiânia também alerta para a importância de definir o melhor tratamento para cada caso. “As medicações hoje são muito eficazes, porém para pacientes com necessidade de perdas muito elevadas de peso (IMC maior que 40), a cirurgia bariátrica é cinco vezes mais eficaz e mais barata quando comparada ao tratamento medicamentoso.” Essa constatação alinha-se a estudos de sociedades médicas brasileiras, que defendem a cirurgia como método definitivo nos casos de obesidade grave.

Por fim, o cirurgião resume a mensagem principal: a pedra na vesícula é causada pela perda de peso acentuada, e não pela caneta em si. Como salienta Faleiro, “o que causa a pedra na vesícula é a perda acentuada de peso (independente do método)”.

O cuidado mais importante, portanto, é sempre realizar o tratamento da obesidade sob orientação e acompanhamento de um médico especialista, garantindo uma perda de peso segura e monitorada.

FOTO:
Fábio Faleiro – cirurgião bariátrico – Hospital Mater Dei Goiânia

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