Candidato defende políticas públicas voltadas para neurodivergentes na área da cultura

21 de agosto de 2026 às 16:49

Diagnosticado com TDAH, Samuel Carvalho postula elaboração de Política Estadual Neuroinclusiva como forma de posicionar Goiás na vanguarda do setor

As estimativas existentes para a população atípica em Goiás diagnosticada com pelo menos uma das três principais neurodivergências – Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e dislexia – impressionam pela amplitude. Estima-se que 13,4% dos mais de 7 milhões de goianos portam uma dessas condições.

Para qualquer setor de políticas públicas, a relevância numérica dessa população deveria ser levada em conta na hora de formular o que será oferecido. Com o setor cultural não é diferente. Porém, no que diz respeito ao acesso a bens culturais públicos, a complexidade do tema ganha uma camada adicional.

“Quando falamos de políticas públicas voltadas para a cultura dirigida a uma população neurodivergente, não estamos falando de acessibilidade apenas no equipamento físico, nas instalações. Estamos falando de adaptação na forma como o evento é apresentado e na maneira como o público vai usufruir esse conteúdo”. Quem explica é o empresário canedense Samuel Carvalho. Diagnosticado com TDAH, ele é candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) pelo Podemos. Sua principal bandeira é a defesa dos direitos da população neurodivergente em Goiás.

Nesse sentido, o candidato defende um programa de ações para política culturais especificamente voltados para esse estrato da população, na forma de uma Política Estadual de Cultura Neuroinclusiva. “Penso em quatro pilares: o da fruição, que aborda os atípicos como público; o da produção, que trata dos artistas neurodivergentes; o de equipamentos, referente ao tratamento dos espaços, e o da participação, que é de responsabilidade dos formuladores de políticas públicas”, explica.

Nas frentes da fruição e de equipamentos de sua proposta de uma Política Estadual de Cultura Neuroinclusiva, Carvalho defende a adoção de parâmetros na montagem de eventos em espaços públicos com o bjetivo de prevenir a sobrecarga de sentidos e a economia sensorial. “Cinemas, salas de teatro museus e bibliotecas devem ser dotados de momentos de baixa estimulação e de áreas de descompressão sensorial quando a crise acontece”, analisa.

Iluminação reduzida, volume sonoro controlado, menor limite previsto para lotação e entrada e saída livre são algumas medidas as quais, apesar de simples, podem fazer a diferença na hora de dotar um espaço de capacidade para receber adequadamente um público atípico. “Não pode se limitar ao espaço. A própria experiència precisa se adaptar às necessidades do neurdivergente”, frisa.

No pilar da produção, Carvalho defende a adoção de uma bolsa de desenvolvimento artístico para neurodivergentes. A duração pode variar de 6 meses a um ano. “É aconselhável trabalhar com prazos mais flexíveis, onde os riscos da ocorrência de crises sejam devidamente internalizados. “Mas o ponto mais importante talvez diga respeito ao conteúdo. É muito importante que não haja qualquer exigência de produção de conteúdo especificamente neurodivergente. Seria uma atitude que reforçaria em vez de aliviar a carga de estigmatização”, pondera.

Segundo Samuel Carvalho, o surgimento de um sistema integrado e coerente de políticas culturais voltados para a emergência de uma abordagem neuroinclusiva deixaria Goiás na vanguarda desse tipo de desenvolvimento no Brasil e até mesmo internacionalmente. “É um campo no qual Goiás poderia servir de modelo. Basta vontade política”, vaticina o empresário.