Baixa adesão à vacina preocupa especialistas em meio ao período de maior circulação da gripe

14 de julho de 2026 às 16:40

Mais de 1,4 milhão de doses já foram aplicadas em Goiás, mas médicos alertam que a procura pelo imunizante precisa crescer para ampliar a proteção da população

Goiânia, 15 de julho de 2026 – Quase dois meses após a vacinação contra a gripe ser ampliada para toda a população, Goiás ainda enfrenta o desafio de atingir a meta de cobertura preconizada pelo Ministério da Saúde, de 95% para a maioria dos imunizantes do calendário nacional. Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) mostram que mais de 1,4 milhão de pessoas já receberam a vacina contra a influenza em 2026. Desse total, 365.587 doses foram aplicadas em pessoas fora dos grupos prioritários.

Para o médico alergista, imunologista e otorrinolaringologista Márcio Niemeyer, ampliar a adesão à vacinação é ainda mais importante neste período do ano. Segundo o especialista, o inverno favorece a circulação de vírus respiratórios e aumenta o risco de infecções.

“A abertura da vacinação para toda a população foi uma medida importante, mas é fundamental que a procura continue crescendo.

Quanto mais pessoas estiverem imunizadas, menores serão as chances de casos graves ou mortes. Estamos entrando em um período que favorece a transmissão de infecções respiratórias e a vacina continua sendo a principal forma de prevenção”, afirma Niemeyer.

As temperaturas mais baixas e o clima mais seco favorecem a disseminação de vírus que afetam o sistema respiratório. “As pessoas costumam permanecer por mais tempo em ambientes fechados e com menor ventilação, o que facilita a transmissão. Além disso, o clima seco pode contribuir para o ressecamento das vias respiratórias, tornando o organismo mais vulnerável”, destaca.

De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina protege durante os meses de maior circulação da influenza, reduzindo o agravamento da doença, as internações e os óbitos, além de contribuir para diminuir a transmissão do vírus.

O especialista lembra ainda que a vacina contra a influenza deve ser tomada todos os anos porque o vírus sofre mutações frequentes. Por isso, a composição do imunizante é atualizada anualmente com base no monitoramento das cepas de maior circulação realizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

“A melhor forma de se proteger da gripe é por meio da vacinação anual. Além disso, medidas complementares como higienizar as mãos com frequência, evitar contato com pessoas sintomáticas e procurar atendimento médico diante de febre persistente ou mal-estar intenso ajudam a reduzir os riscos de infecção”, orienta.

Vacina salva vidas

Embora muitas vezes seja tratada como uma doença leve, a gripe pode evoluir para quadros graves e até levar à morte. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 500 pessoas morreram em decorrência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associada aos vírus Influenza A e B no Brasil entre janeiro e maio deste ano.

Além da proteção individual, a vacinação tem papel importante na redução da circulação do vírus na comunidade. Quando menos pessoas se vacinam, maiores são as chances de o vírus continuar circulando e alcançar pessoas mais vulneráveis às complicações da gripe. Quanto maior a cobertura vacinal, menor a cadeia de transmissão e maior a proteção coletiva.

“A gripe não é uma doença banal. Todos os anos ela provoca internações e mortes que poderiam ser evitadas com a vacinação. Quanto antes a população procurar os postos de saúde, maior será a proteção durante o período de maior circulação do vírus”, conclui o médico.