Novo perfil de proprietário de barraca precisa transformar espaço de vendas espontâneas em oportunidade para montar carteira de clientes fidelizados
Modelo de negócios tradicional, as feiras livres são uma das marcas registradas da economia goiana de baixo circuito. Em Goiânia, são 122 espaços cadastrados pela prefeitura. A maior delas – a Feira Hippie – chega a movimentar R$ 15 milhões por mês. A transformação das feiras em modelos de negócio adaptados à economia atual passa pela transformação do feirante em empreendedor.
Para o empresário e candidato a deputado estadual Felipe Mabel (Podemos), que tem no incentivo ao empreendedorismo jovem uma de suas principais bandeiras de campanha, essa mudança passa por uma decisão fundamental. “O feirante tem que deixar de depender exclusivamente do fluxo espontâneo da feira”, afirma.
Para isso, Mabel afirma que a feira deve assumir um novo papel na visão desse feirante com visão de empreendedor. “A feira deve deixar de ser o lugar onde ele vai para simplesmente tentar a sorte e torcer por um dia de muita movimentação, mas sim um lugar onde a carteira de clientes é construída”, salienta o candidato.
Felipe advoga uma mudança no perfil de como funciona uma barraca de feira tradicional para um pequeno negócio, com todas as características de uma iniciativa moderna de comércio, mas de natureza itinerante. “Como funciona a barraca tradicional? A partir de um esquema que integra feira, fluxo de pessoas e venda ocasional. O que o novo modelo precisa integrar? Captura do cliente, relacionamento com fidelização, encomenda, recompra e indicação”, explica.
Para o postulante a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), o cliente da feira tem que se tornar um comprador recorrente. Para isso, o feirante deve investir na maneira de divulgar seus produtos, além de melhorar a forma como esse produto é entregue. “Ele tem de pensar na divulgação de seus produtos nas redes sociais, na identidade visual, na estética das embalagens. Muitos feirantes modernos já chegam para montar a sua barraca com compras já agendadas”, comenta Mabel.
Outra frente interessante sugerida pelo candidato é a da formação em setores específicos de gestão, adaptadas às necessidades práticas de um pequeno negócio itinerante. “O feirante moderno tem de entender de formação de preço, fluxo de caixa, controle de estoque, precificação de perdas. Tem de se adaptar ao fato de não possuir ponto fixo. Considerar localização, deslocamento, logística adaptável e concorrentes diretos”, descreve Mabel.
Um aspecto fundamental é a captação de crédito. “Essa talvez seja a dimensão mais importante, porque vai garantir uma continuidade do negócio. Nesse sentido, podemos citar a GoiásFomento. Um plano realista para uma feira seria um projeto inicial que demande R$ 42 mil de crédito: metade de crédito produtivo, metade para capital de giro”, aconselha.
O candidato salienta que as feiras livres deixam de se tornar simples espaços para a aquisição de produtos predominantemente alimentícios, e passam a incorporar atividades de entretenimento e presença prolongada. “O feirante precisa se adaptar a essa nova realidade. E será uma boa adaptação, porque o fluxo de vendas vai acontecer inclusive quando o feirante não estiver presencialmente na barraca”, enfatiza Felipe Mabel.