Diagnóstico é de candidato com TDAH; para ele, órgãos educacionais do estado têm dificuldade até mesmo para captar recursos disponíveis a nível federal e previstos para educação inclusiva
Goiás pode ter mais de 81 mil neurodivergentes em idade escolar, ou seja, crianças e adolescentes até os 14 anos. Esse amplo contingente populacional provoca um questionamento natural: as escolas goianas estão devidamente preparadas para receber um número tão grande de estudantes?
A resposta é negativa, e começa pelo tamanho do desafio. A estimativa é de que 81.200 goianos entre 0 e 14 anos sejam diagnosticados com pelo menos um dos três tipos mais comuns de neurodivergência: Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e dislexia.
O número é obtido a partir da projeção sobre a população goiana, com base em um cálculo da população brasileira diagnosticada em projeções da Organização Mundial de Saúde, a partir de estimativas epidemiológicas obtidas com a revisão da literatura científica existente sobre o tema.
Para o empresário canedense e candidato a deputado estadual Samuel Carvalho (Republicanos), uma das maiores limitações para o funcionamento de uma rede de ensino adequada para o atendimento dos discentes neurodivergentes é o nível de conscientização de pais e autoridades. Diagnosticado com TDAH, Carvalho faz da defesa dos direitos da população neurodivergente goiana sua principal bandeira.
“Em primeiro lugar. Não há que se falar de ambientes separados. O modelo é o da educação inclusiva, mesmo que por exemplo o TEA seja tratado como deficiência passível de atendimento pelo AEE [Atendimento Educacional Especializado] e as outras divergências, não”, comenta Carvalho.
Recentemente, os marcos regulatórios para o atendimento das necessidades específicas dos alunos neurodivergentes foi atualizado por decretos e resoluções do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Os principais dispositivos são o Decreto 12.686/2025 e a Portaria MEC 421/2026, que sustentam a educação especial inclusiva em três pilares: estrutura física adequada, recursos pedagógicos e protocolos individualizados e capacidade de articulação com a família.
Salas de Recursos Multifuncionais
Para Samuel, o principal instrumento de que dispõem as secretarias estaduais de educação foi proporcionado pelo Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) das Salas de Recursos Multifuncionais. “É um programa do MEC, específico para montar estruturas de atendimento específico voltados para os alunos neurodivergentes. Somente neste ano, foram destinados mais de R$ 200 milhões para a montagem dessas salas. Mas esse dinheiro volta porque as secretarias de educação dos estados às vezes nem sabem da existência do programa e dos recursos, e não enviam os projetos”, salienta o candidato.
Carvalho ressalta que, caso Goiás adotasse uma simples estratégia de maximização de captação de recursos do PDDE Salas de Recursos Multifuncionais, as escolas goianas estariam melhor aparelhadas para atender sua população discente diagnosticada.
“Em sua própria definição nos marcos regulatórios existentes, a Sala de Recursos Multifuncionais prevê um atendimento diferenciado: foco na autonomia para portadores de TEA, na superação das dificuldades de aprendizado para os diagnosticados com dislexia e auxílio na segmentação de objetivos e organização para os portadores de TDAH”, explica o empresário.
Para o postulante a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), a destinação de recursos para a montagem de equipes multifuncionais para toda a rede pública de ensino em Goiás poderia ser proporcionada por emendas impositivas, a partir de uma possível frente parlamentar em defesa dos direitos da população neurodivergente. “Estou especialmente comprometido com essa pauta caso seja eleito”, finaliza Carvalho.