Leandro Marmo, especialista em agronegócio, explica como a redução do financiamento pode afetar o planejamento dos produtores e a safra 2026/27
A área financiada pelo crédito rural no Brasil caiu 25,8% entre julho de 2025 e julho de 2026, passando de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares. O recuo ocorre em um cenário de juros elevados, aumento das operações problemáticas e maior rigor das instituições financeiras na concessão de recursos, trazendo novos desafios para os produtores na preparação da safra 2026/27.
A redução do acesso ao crédito pode dificultar o financiamento de etapas importantes da produção, como compra de sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas e outros insumos. Para o produtor, o cenário exige maior atenção ao planejamento financeiro e à capacidade de assumir novos compromissos antes do início da próxima safra.
Para Leandro Marmo, especialista em agronegócio, o crédito é uma ferramenta importante para garantir que o produtor consiga organizar a produção e realizar os investimentos necessários. Segundo ele, quando os recursos ficam mais caros ou restritos, a capacidade de planejamento também é afetada.
“O produtor precisa ter cada vez mais controle sobre os custos e sobre a capacidade de pagamento. Quando o crédito fica mais restrito, decisões que antes poderiam ser tomadas com mais facilidade passam a exigir uma análise maior, principalmente para evitar que o endividamento comprometa a próxima safra.”
Além das dificuldades dentro das propriedades, a redução do financiamento pode produzir efeitos em toda a cadeia do agronegócio. Uma menor capacidade de investimento pode afetar a produtividade e a oferta de determinados produtos, com possíveis reflexos sobre as exportações e os preços dos alimentos.
Na avaliação de Marmo, o momento exige que o produtor antecipe decisões e busque alternativas para reduzir os impactos de um cenário de crédito mais seletivo. “O planejamento precisa começar antes do plantio. Avaliar custos, condições de financiamento, necessidade de insumos e capacidade de produção permite ao produtor tomar decisões mais seguras e reduzir os riscos financeiros ao longo da safra.”
O cenário reforça a importância de acompanhar não apenas as condições de crédito, mas também os custos de produção e as perspectivas para a próxima safra. Para o especialista, quanto maior a pressão sobre o financiamento, maior deve ser a atenção à gestão da propriedade e à organização dos recursos disponíveis.