Candidato defende salas de descompressão itinerantes para neurodivergentes em eventos públicos

17 de setembro de 2026 às 14:27

Estruturas desmontáveis seriam espaços para redução de estímulos, prevenção de crises e possibilidade para que portadores possam visitar eventos públicos sem riscos

De acordo com estimativas do último Censo (2022) e de projeções com base em revisões de estudos científicos da Organização Mundial de Saúde (OMS), Goiás pode ter mais de 400 mil portadores de Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e dislexia.

Para quem vive o problema, um dos equipamentos mais eficazes para evitar situações constrangedoras ou potencialmente desorientadoras são as salas de descompressão. Para o empresário canedense e candidato a deputado estadual Samuel Carvalho (Republicanos), diagnosticado com TDAH, esses espaços podem fazer a diferença entre, por exemplo, um passeio divertido e uma crise mais grave.

As salas de descompressão conceituam-se como um espaço para regulação, acomodação e desaceleração sensorial. A literatura internacional sobre neurodivergências também chama esses locais de quiet rooms. “Elas servem para promoverem uma baixa no estímulo sensorial, para que a pessoa portadora de neurodivergência possa se recuperar após uma sobrecarga”, explica Samuel.

Por seu papel no caráter preventivo de crises, Carvalho defende a adoção de uma política pública de montagem de um acervo de salas itinerantes de descompressão, que poderiam ser utilizadas como locais de apoio em eventos públicos. “Já fizemos um levantamento dos componentes: estrutura modular portátil, equipamentos de redução de ruído ou isolamento acústico, custos de transporte. Essas salas custariam, em média, entre R$ 15 mil e R$ 30 mil”, estima o postulante a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

Samuel vislumbra um conjunto de salas modulares desmontáveis, deslocadas para eventos públicos de grande circulação de pessoas e grande potencial de estímulos sensoriais. Outros equipamentos necessários incluem iluminação regulável e indireta, abafadores e fones de ouvido; pufes, almofadas e outros tipos de assento, os quais precisam ser individuais, além de cortinas e objetos de autorregulação, também conhecidos como fidgets. “O principal objetivo é dar à pessoa a possibilidade de ela controlar os próprios estímulos”, comenta.

Carvalho salienta que a adoção das salas de descompressão itinerantes são uma forma de o poder público promover melhorias efetivas no exercício de cidadania por uma parcela potencialmente extensa da população. “Pense em uma família que deseja ir a um show ou a uma cantata de natal, mas não pode porque o filho com certeza, em algum momento, vai ter uma crise. Agora imagine um local onde ele possa, caso isso aconteça, se organizar e normalizar seu sistema sensorial, podendo desfrutar da experiência. É sobre isso. É sobre ser feliz”, conclui o candidato.