Candidato a vaga na Alego defende adoção do Rio Caldas como possível manancial a ser adicionado ao sistema da Sanesc, além de possível cooperação com empresa estadual
O problema do fornecimento de água em Senador Canedo volta a se destacar no debate público local com a proximidade das eleições e a possível estiagem prolongada como efeito do fenômeno climático do Super El Niño, previsto para este semestre.
A percepção de alerta é reforçada por um relatório do Ministério Público de Goiás (MP-GO), que chama a atenção para os riscos adicionais de Senador Canedo a partir de duas variáveis preocupantes: o crescimento urbano vertiginoso e desordenado, bem como o nível de desperdício das linhas de distribuição, que chegam a 40% da capacidade efetivamente captada pela Agência de Saneamento de Senador Canedo (SANESC).
Para um dos principais críticos do estresse hídrico atual do município, o empresário local e candidato a deputado estadual Samuel Carvalho (Republicanos), entre as alternativas existentes para sanar o problema está a identificação de mananciais que podem suprir o déficit de vazão atual, que é de aproximadamente 250 m³ por hora.
“Outro manancial traria alívio para o problema agora, com a vantagem adicional de resolver boa parte do problema futuro, que é o crescimento urbano. Senador Canedo é a cidade brasileira com mais de 100 mil habitantes que mais cresce no Brasil. Toda essa gente que chega precisa de água, e para ontem”, ressalta Carvalho.
O candidato afirma que o principal candidato a manancial é o Rio Caldas, integrante da Bacia do Rio Meia Ponte, localizado a pouco mais de 27 quilômetros de Senador Canedo. Carvalho menciona dois estudos que elegem o curso d’água como o manancial mais adequado: o Estudo Hidrológico de Goiânia e Região Metropolitana, elaborado pela Saneago, e o Plano de Desenvolvimento Integrado (PDI), realizado pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
De acordo com a pesquisa da Saneago, o Rio Caldas preenche favoravelmente todos os critérios para um fornecimento regular: vazão aproveitável, viabilidade técnica de barramento, distribuição dos centros urbanos e nível de preservação ambiental. O estudo da UFG alerta que o sistema Sanesc corre severo risco estrutural devido ao colapso dos mananciais locais diante de estiagens prolongadas, e sugere o aproveitamento regionalizado do Rio Caldas, que serviria para Senador Canedo no sentido de diminuir a pressão sobre os ribeirões Sozinha e Bonsucesso.
Custos
O maior desafio para essa alternativa são, de acordo com Samuel Carvalho, os custos envolvidos na construção desse sistema. “Seria um investimento massivo para a instalação de equipamentos como adutoras de longo curso, estações de bombeamento e licenciamentos ambientais, tendo em vista que todo esse sistema cruzaria os limites de outras cidades”, explica o candidato.
Por isso mesmo, Carvalho defende como possível variável estratégia para a SANESC a adoção de um panorama organizacional em que esteja no horizonte uma série de iniciativas de cooperação com a Saneago. “Podem ser adotados contratos que vão ser estabelecidos sobre todas essas dimensõesa. A Saneago pode oferecer know hall, sobretudo, no que diz respeito a estratégias de ampliação de capilaridade, em um projeto de aumento de mananciais”, explica.
Em outra frente, Samuel defende o estabelecimento de contratos entre a SANESC e a Saneago com vistas à viabilização de um programa de obras e construção de instalações de infraestrutura de médio e longo prazos. “Essa frente dará conta do processo de adaptação de Senador Canedo a esse aumento populacional que a expansão do mercado imobiliário da cidade já vem causando”, finaliza.