Entretanto, apenas uma pequena empresa a cada 3.800 negócios ativos é exportadora; para empresário e candidato a vaga na Alego, cenário é de potencial ainda inexplorado de crescimento
Os pequenos negócios goianos que desenvolveram capacidade para exportar seus produtos conheceram um crescimento vertiginoso nos últimos sete anos. De acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), os Microempreendedores Individuais (MEIs) e empresas de pequeno porte exportadores de Goiás saltaram de 74 empreendimentos em 2018 para 263 em 2025: um aumento de 255%.
Esse crescimento esconde, porém, um cenário modesto e um imenso potencial. Em termos absolutos, a participação dos pequenos negócios exportadores no total de empresas de mesma dimensão ativas no estado é numericamente pouco expressiva. Segundo números do Panorama dos Pequenos Negócios em Goiás, publicado pelo Sebrae a partir do banco de dados da Receita Federal, apenas 505 das 879.633 MEIs, micro e pequenas empresas goianas possuem inserção no comércio exterior. Em resumo, nos termos dos dados existentes, uma em cada 3.800 pequenas empresas ativas em Goiás exporta.
Para o empresário e candidato a deputado estadual Felipe Mabel (Podemos), o fato de tão poucas empresas goianas exportarem não revela, por si só, incapacidade desses modelos de negócios para terem uma inserção mais sólida no comércio exterior.
“Para nós termos uma dimensão exata do que acontece, temos que confrontar a pouca quantidade de micro e pequenas empresas exportadoras em Goiás com esse crescimento impressionante que esse nicho teve nos últimos anos. Quando eu vejo por esse ângulo, não enxergo uma limitação. Vejo uma grande oportunidade de crescimento”, avalia o empresário candidato.
Como plataforma promissora, Mabel cita a Feira Internacional de Comércio Exterior do Brasil Central (FICOMEX), organizada pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg). Considerada a principal iniciativa de fomento às exportações goianas, A FICOMEX teve sua primeira edição realizada em outro país entre maio e junho deste ano, em Lisboa (Portugal), no contexto da aprovação do Acordo Mercosul-União Europeia. Na ocasião, foram movimentados € 200 milhões (mais de R$ 1 bilhão).
Setores focados favorecem pequenos
Para Felipe Mabel, o que torna a FICOMEX uma plataforma formidável como evento de fomento a uma cultura exportadora entre os pequenos negócios em Goiás são os setores que a feira estabelece como foco: alimentos, bebidas, moda, sustentabilidade e inovação no agro. “Vários desses segmentos são ramos já consolidados entre os MEIs, micro e pequenos empreendedores. Tudo o que eles precisam é de incentivo do Poder Público e orientação”, comenta.
Nesse sentido, Mabel sugere ações como stands especiais para pequenos negócios em edições futuras da FICOMEX e um programa de apoio no sentido de uma cartilha do pequeno negócio exportador. “Também seria interessante o estabelecimento de uma consultoria capaz de prestar serviços gratuitos a esse empreendedor que deseja exportar. Se ele atuar no ramo de alimentos, é preciso saber quais são as regras fitossanitárias dos destinos de seus produtos. Se ele for do ramo de vestuário e calçados, ele precisará ter informação acerca de tamanhos de moldes. É uma operação complexa, mas compensadora”, explica.
Mabel destaca que a criação de uma cultura exportadora entre os micro e pequenos empreendimentos em Goiás teria efeitos consideráveis sobre a geração de emprego e renda. “Se você pensar em termos cambiais, tem o resultado de um multiplicador sobre os ganhos do negócio. Com mais receita, essas empresas – que já respondem pela maior parte dos empregos diretos gerados – realizarão mais contratações. É mais salário, mais consumo, mais prosperidade. É o ciclo econômico virtuoso funcionando”, finaliza.