Possibilidade de vítima localizar com exatidão agressor a partir do GPS do APP não substitui, porém, reforço de efetivo; candidata a vaga na Alego defende criação de Batalhões Maria da Penha em todos os Comandos Regionais da PM no estado
Em Goiás, foram registradas 11.208 violações (lesões de algum tipo a direito) por violência contra a mulher entre janeiro e junho de 2026. O índice é 31% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram registrados 8.171 casos. O descumprimento de medidas protetivas é considerado o grande colchão de incentivo à continuidade da situação de fragilidade de segurança na qual as goianas vivem.
Porém, se o estado tem na violência contra a mulher talvez seu quesito mais negativo em questão de Segurança Pública, o uso da tecnologia pode ser o início de uma virada nas políticas de combate a essa modalidade de crime. É o caso do aplicativo Mulher Segura, concebido no âmbito da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), considerado um caso exemplar de evolução tecnológica nesse campo.
Lançado em 2023, o dispositivo tinha um limite máximo de adesões limitado a 5 mil downloads, rapidamente alcançado. Atualmente, essa capacidade é ilimitada. O aplicativo oferece diversos serviços, todos orientados a partir do grau de urgência máxima características de tais casos. Estão previstas na aplicação o socorro de emergência no atendimento inicial, a localização em tempo real por GPS, o mapa de unidades, que permite visualizar a equipe policial mais próxima. Também é possível lavrar, no celular, um Boletim de Ocorrência (BO) virtual. O documento é considerado o primeiro passo para a adoção das medidas protetivas de urgência.
Porém, um outro mecanismo já disponível no APP Mulher Segura tem o potencial para funcionar como a mais formidável arma silenciosa na prevenção da escalada da violência contra a mulher, uma vez que a primeira denúncia de abuso é feita. Trata-se de um mecanismo denominado cercas virtuais.
Quem explica é a jornalista e candidata a deputada estadual pelo União Brasil, Arianne Cândido. “As cerca virtual é a possibilidade, no APP Mulher Segura, que permite a conexão do celular da vítima e o do agressor no GPS do dispositivo. O que isso quer dizer? Que a vítima tem condições a que distância o agressor está. Além disso, ela pode formar na hora a prova da desobediência das medidas protetivas. Basta que ela faça um print”, informa.
Para Cândido, a cerca virtual permitida pelo APP Mulher Segura tem o potencial de ser uma ferramenta de alerta inestimável, para disparar o mecanismo de persecução penal nos casos de violência contra a mulher. “Temos condições de aumentar o grau de resposta das equipes engajadas no cumprimento das medidas protetivas. A cerca virtual permite que a mulher repasse, diretamente, dados muito precisos da localização do agressor”, comenta.
Entretanto, ainda segundo a postulante a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), as cercas virtuais sozinhas não são suficientes para resolver o gargalo da fiscalização nos casos de descumprimento de medidas protetivas. “Continua imprescindível o aumento do efetivo das forças policiais, que precisa ser reforçado tanto nos batalhões Maria da Penha quanto nas Delegacias Especializadas na Repressão a Crimes Contra a Mulher (DEAMs)”, salienta.
Para resolver de forma definitiva o gargalo da fiscalização no processo de prevenção de ocorrências e persecução penal repressiva dos crimes de violência doméstica contra a mulher, Arianne Cândido defende a criação de Batalhões Maria da Penha em todos os 22 Comandos Regionais da Polícia Militar de Goiás. Esse reforço demandaria o engajamento de aproximadamente 3,5 mil policiais. “É um desafio grande, mas é preciso enfrentá-lo. Não podemos continuar submetendo as mulheres goianas à situação de vulnerabilidade a que elas vêm sendo submetidas”, conclui.