Candidato neurodivergente defende projeto de unidades estaduais para oferta gratuita e pública de pacotes de terapias que, no setor privado, custam entre R$ 5 mil e R$ 15 mil
Entre os portadores de neurodivergências, os diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) são aqueles que recebem os pacotes terapêuticos mais padronizados e considerados mais eficientes (ver box). Entretanto, uma quase totalidade da oferta existe na iniciativa privada, sob a forma de serviços particulares ou integrantes de combos de planos de saúde. A população carente permanece, em tais casos, desassistida.
Neurodivergente diagnosticado como portador de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o empresário Samuel Carvalho, candidato a deputado estadual pelo Republicanos, comenta o peso financeiro que pode significar a necessidade de aderir a um pacote padrão. “São até quatro terapias, ajustadas para as necessidades do autista conforme seu grau de comprometimento. Esse pacote custa de R$ 5 mil a R$ 15 mil por mês”, informa.
“Imagine as dificuldades dos diagnosticados com TEA que vêm de famílias de mais baixa renda ou em situação de vulnerabilidade social. Estão privados das condições mínimas de cidadania a que eles têm direito”, comenta o postulante a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).
O grau de insatisfação de cuidadores e responsáveis por diagnosticados grau 2 (comprometimento moderado) e 3 (comprometimento grave) com os planos de saúde é alto. “Há reclamações muito frequentes entre o que os planos prometem na hora da assinatura do contrato e o que ele entregam, com a ocorrência de gargalos devido à restrição de horários e falta de profissionais”, explica Samuel.
O motivo para o alto custo é o grau de complexidade das terapias envolvidas, bem como o grau de interdisciplinaridade da equipe. “Você tem que reunir terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, fisioterapeutas. Para os mais carentes, o Poder Público precisa arcar com esses custos”, comenta.
Por essa razão, Carvalho afirma que no momento se engaja, pessoalmente, na elaboração de um projeto de combo de terapias, nos moldes daquele previsto nos padrões oferecidos pela rede privada de saúde, porém como integrante de um programa de Saúde Pública. “A novidade da minha proposta é que os pacotes serão oferecidos em um espaço físico específico, que estou denominando Centro Estadual de Referência em Terapia Comportamental para Atípicos. São os CRETAs”, explica.
De acordo com o candidato, os CRETAs vão oferecer serviços de terapia ocupacional dirigida e adaptada, fonoaudiologia aumentativa, fisioterapia motora e todos os outros procedimentos previstos para cada nível de comprometimento em um prédio específico. “Serão espaços onde podem ser instalados centros de convivência inclusive para pais, cuidadores e responsáveis, que sofrem no mesmo nível dos diagnosticados com a rotina difícil”, salienta.
Por fim, Samuel afirma que está disposto a realizar esse debate com setores mais amplos da sociedade. “Precisamos levar essa pauta para as entidades de representação dos pais dos diagnosticados com TEA, para autoridades de saúde pública, associações de profissionais envolvidos. Precisamos saber os custos envolvidos, e o tempo para implementação. Esse é o tipo de projeto que deve ser adotado pela coletividade. É uma questão humanitária, acima de tudo se, futuramente, for possível estender essa rede de apoio que for criada para outras neurodivergências”, frisa.
Pacote básico para tratamento de portadores de Transtorno do Espectro Autista (TEA):
1 – ABA (Análise de Comportamento Aplicada);
2 – Fonoaudiologia – comunicação alternativa e aumentativa;
3 – Terapia ocupacional com interação sensorial;
4 – Fisioterapia motora com psicomotricidade.