Startups crescem em Goiás, mas se concentram na capital

Abertura de empresas jovens e inovadoras cresce 29% em um ano; Goiânia abriga, sozinha, quase 70% dessas iniciativas

19 de agosto de 2026 às 15:07

As startups – empresas jovens e inovadoras – tiveram um crescimento de 29% em Goiás entre 2024 e 2025. A conclusão foi divulgada pelo segundo relatório de mapeamento desse nicho de negócios realizado pelo Hub Goiás, patrocinado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti).

De acordo com o levantamento, o número de startups abertas em Goiás saltou de 212 em 2024 para 273 no ano passado. As análises apontam, entretanto, um excesso de concentração das iniciativas em Goiânia. De acordo com o Sebrae Startups, 69,77% dessas iniciativas (150 empresas) estão sediadas na capital. Um dos principais fatores se deve ao fato de a capital abrigar aquela que é considerada a principal instituição incubadora de startups em Goiás: o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Entre as áreas que concentram o maior interesse dos empreendedores de startups estão o agronegócio, a saúde, a educação, a construção civil e as empresas do ramo soft tech e bio tech. Ainda segundo o Hub Goiás, o investimento público no setor foi da ordem de R$ 30 milhões em 2025.

Quem observa com maior atenção o desenvolvimento do ecossistema de tecnologia e inovação em Goiás aponta para a necessidade de descentralização. É o caso do empresário e candidato a deputado estadual pelo Podemos, Felipe Mabel. Defensor do empreendedorismo jovem, o industrial do ramo de alimentos afirma que uma série de medidas devem ser tomadas para que as startups goianas garantam um futuro de desenvolvimento sustentável.

“A própria configuração dos setores preferenciais de abertura das startups já aponta para um fortalecimento de polos regionais, espalhados pelo estado, de tecnologia e inovação”, comenta Mabel. O candidato propõe uma lógica de criação de polos regionais de inovação em um cinturão de cidades polarizados por Anápolis, Rio Verde e Jataí.

Mabel também propõe uma política que vise à criação de vários outros centros similares ao CEIA-UFG. “É preciso transformar a Inteligência Artificial em um insumo de larga utilização”, pontua o candidato, que também defende que o Poder Público incentive uma ligação entre startups e cooperativas. “É o tipo de arranjo produtivo com um potencial formidável de complementaridade: a escala das cooperativas de um lado, e os aportes de tecnologia e inovação das startups, de outro”, analisa.

Patentes e retenção de talentos

Além disso, Felipe Mabel também advoga pela adoção de um programa de governo de retenção de talentos egressos da universidade. “Nós precisamos ser mais eficientes em transformar pesquisadores em empresários. Precisamos adquirir um sistema de geração de patentes menos burocratizado, além de criar links entre esse sistema de geração de patentes e o acesso ao crédito, talvez com a adoção de um modelo mais dinâmico de centros de venture capital (iniciativas financeiras a partir de parcerias entre os setores público e privado)”, observa.

“O futuro de Goiás aponta para que nosso estado seja o centro de um ecossistema econômico onde os pequenos negócios e as startups possam não só dividir espaço como se tornar parceiras dos grandes arranjos produtivos, mais tradicionais. Nós só precisamos de vontade política e arrojo para fazer frente a esses desafios”, conclui o candidato.