Ator e escritor emocionou plateia ao defender disciplina, pertencimento e persistência como pilares do sucesso pessoal e profissional
O encerramento do 28º ECON – Encontro de Condomínios, promovido pelo Secovi Goiás, começou como uma palestra sobre carreira e terminou como uma reflexão sobre pessoas. Diante de um auditório lotado, Miguel Falabella conduziu uma fala que misturou humor, memórias, bastidores da televisão e lições construídas ao longo de décadas de trajetória artística.
Mais do que apresentar fórmulas de sucesso, Falabella falou sobre convivência, empatia e a importância de enxergar quem está ao redor.
Logo no início, o ator explicou que acredita que nenhum trabalho é individual. Ao lembrar da convivência com equipes de teatro, contou que fazia questão de conversar com bilheteiras, camareiras e funcionários antes de cada apresentação.
“O meu espetáculo começa ali. Não é o meu espetáculo, é o nosso espetáculo”, afirmou.
Foi a partir dessa ideia de coletivo que Falabella passou a apresentar aquilo que chamou de “ingredientes” fundamentais da própria caminhada: poesia, comunicabilidade, disciplina, adaptabilidade, praticidade, autoconhecimento, originalidade, pertencimento, persistência e generosidade.
Ao falar sobre disciplina, um dos pontos mais fortes da palestra, relembrou os anos em que trabalhou ao lado da atriz Cláudia Raia em musicais. Segundo ele, mesmo após anos em cartaz, a atriz mantinha uma rotina rigorosa de preparação física e vocal.
Durante uma viagem, Falabella contou ter tentado convencer a atriz a trocar um treino por um passeio turístico. A resposta virou uma das frases mais marcantes da noite:
“O público não comprou ingresso para nos ouvir ofegantes.” Segundo o ator, foi ali que entendeu que “disciplina é libertária”.
A partir daí, a palestra ganhou um tom mais pessoal. Falabella contou que grande parte dos personagens que criou nasceu da observação de pessoas comuns. Foi assim com Copélia e Bozena, duas figuras populares da televisão brasileira inspiradas em mulheres reais que cruzaram seu caminho em situações cotidianas.
As histórias serviram de gancho para uma reflexão sobre preconceito e sensibilidade. Ao lembrar da própria avó italiana, o ator citou uma frase que, segundo ele, mudou sua forma de enxergar o mundo: “Uma pessoa que tem sotaque é alguém que fala uma língua a mais do que você.”
O clima de emoção aumentou quando Falabella falou sobre persistência. O ator revelou que levou mais de 20 anos tentando transformar a peça “Veneza” em filme. Nesse período, enfrentou recusas de produtores, dificuldades financeiras e até o impacto da pandemia na estreia da obra. Mesmo assim, decidiu não abandonar o projeto. “Eu esperei 25 anos para fazer um filme. E fiz.”
No fim, a palestra deixou uma mensagem que ultrapassou o palco e dialogou diretamente com o universo condominial. Falabella mostrou que o condomínio talvez seja hoje um dos espaços mais concretos para aplicar essa “receita” construída nas relações humanas, convivência, escuta, empatia, disciplina e pertencimento.
O tema da palestra, “Onde está a felicidade?”, caminhou justamente nessa direção: a ideia de que não basta buscar sucesso apenas no dinheiro, na carreira ou no reconhecimento. A vida, segundo o ator, também é poesia, comunicabilidade, disciplina, adaptabilidade, praticidade, autoconhecimento, originalidade, pertencimento, persistência e generosidade. E é justamente nessas relações humanas, no cotidiano, na convivência e na forma como as pessoas se enxergam, que mora a felicidade. Porque, no fim, a vida é poesia.
Realizado em Goiás, o ECON reuniu profissionais do mercado condominial em debates sobre gestão, tecnologia, segurança, sustentabilidade e inovação, consolidando-se como o maior encontro do setor no Centro-Oeste.