Dietas radicais após as festas não aceleram o emagrecimento e podem desregular o metabolismo

15 de janeiro de 2026 às 14:16

Especialista explica porque tentar ‘compensar’ excessos com restrições severas ou jejum prolongado aumenta o estresse metabólico e atrasa resultados; dados do Ministério da Saúde reforçam o alerta

Com a virada do ano, cresce o número de pessoas que recorrem a dietas radicais e jejuns prolongados na tentativa de compensar os excessos alimentares e o consumo de álcool nas festas de fim de ano. No entanto, esse comportamento pode gerar o efeito contrário ao esperado. De acordo com dados do Ministério da Saúde (MS), mais de 60% da população adulta brasileira apresenta excesso de peso; e cerca de 22% convivem com obesidade, segundo o sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), pesquisa anual do MS, que monitora hábitos de vida e fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) como diabetes, câncer e doenças cardiovasculares.

Outro dado que chama atenção é o consumo de álcool. Informações do MS apontam que aproximadamente 18% dos adultos brasileiros relatam consumo abusivo de bebidas alcoólicas, comportamento que tende a aumentar em períodos festivos e impacta diretamente o funcionamento do fígado, o controle glicêmico e os processos inflamatórios do organismo.

De acordo com o médico nutrólogo Arthur Rocha, o corpo chega ao início do ano sob um quadro de estresse metabólico, caracterizado por inflamação sistêmica, resistência temporária à insulina, retenção de líquidos, desequilíbrio intestinal e piora da qualidade do sono. Esses fatores dificultam a resposta do organismo a estratégias agressivas de emagrecimento.

O especialista alerta que dietas radicais ativam mecanismos de defesa do organismo.“Quando a pessoa entra em uma restrição intensa logo após um período de excessos, o corpo interpreta isso como ameaça. O metabolismo desacelera, o cortisol hormônio do estresse aumenta, há maior retenção de líquidos e a perda de massa muscular acontece antes da queima de gordura”, explica.

Este processo não apenas atrasa o emagrecimento, como também favorece o efeito rebote.“Tentar compensar os exageros com dietas muito restritivas pode atrasar o processo de emagrecimento, aumentar o cansaço e gerar episódios de compulsão alimentar depois”, alerta Arthur Rocha.

Outro ponto que merece atenção é o uso do jejum prolongado logo após as festas.“Jejum não é castigo. Em um corpo inflamado e estressado, o jejum prolongado tende a aumentar o cortisol, preservar gordura, consumir massa magra e gerar episódios de compulsão depois.”

Entre os sinais mais comuns de que o organismo ainda está inflamado ou desregulado estão inchaço persistente, cansaço ao acordar, dificuldade em perder peso mesmo comendo pouco, sono ruim, intestino preso ou irregular, irritabilidade e vontade exagerada por açúcar ou álcool. Para o nutrólogo, janeiro deve ser encarado como um período de reorganização metabólica, e não de punição.“Antes de emagrecer, é preciso desinflamar”.

Segundo ele, a abordagem mais eficaz envolve hábitos simples e consistentes, como melhorar o sono, suspender o álcool por um período, aumentar a hidratação, priorizar alimentos simples, garantir ingestão adequada de proteínas, movimentar o corpo diariamente sem exageros e cuidar do intestino e do fígado. A estratégia mais inteligente é pensar o emagrecimento em fases, respeitando o tempo do organismo. “Janeiro não é mês de punição, é mês de preparar o corpo para responder melhor”, orienta Arthur Rocha.